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Doença mental tem cura?

por Rogério Tuma publicado 05/04/2011 08h49, última modificação 05/04/2011 08h49
O tratamento existe. Não apenas pela medicação, mas também pela psicoterapia e psicodrama.

Em seu livro, o doutor Luiz Altenfelder, psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, deixa claro: “O homem não existe sem a relação com o seu semelhante”. É com esse lema que ele defende a importância do psicodrama e da psicoterapia em grupo nos tempos de hoje, em que a psicofarmacologia e a neurologia desfazem suas fronteiras. O autor demonstra que o papel da psicoterapia é fundamental e curativo. Mais do que isso, disserta de forma didática e contagiosamente interessante sobre a história do tratamento psiquiátrico, desde a civilização egípcia até a desospitalização, passando por absurdos como o espancamento e até a queima do paciente psiquiátrico na fogueira. Segundo o dr. Altenfelder, a doença mental tem cura e o caminho não é só a medicação: a psicoterapia em grupo e o psicodrama são os elos encontrados no passado para a moderna psiquiatria.
Esquecidos, atenção!
Mais um avanço para o tratamento da doença de Alzheimer foi descoberto com lombrigas. A revista Nature publicou um estudo em que cientistas do Instituto Buck, na Califórnia, perceberam que, ao utilizar um corante comum que colore a proteína beta amiloide no neurônio, conseguiam melhorar o defeito que aparece nesta proteína, causadora da doença de Alzheimer em humanos. De tabela, conseguiram aumentar a longevidade dessas lombrigas em 50%. Os cientistas envolvidos, que usaram as lombrigas modificadas para simular a doença de Alzheimer tal qual ocorre em humanos, nunca viram uma substância tão eficaz em aumentar a vida de um ser vivo igual ao corante Amarelo 1, como é chamada a Tioflavina T (ThT). O corante, ao juntar-se com a proteína beta amiloide, melhora a capacidade do organismo de manter a sua produção estável, impedindo a produção de fragmentos proteicos que são tóxicos para a célula e provocam sua morte prematura. A ThT é um corante comumente utilizado para identificar as placas amiloides, acúmulos desses fragmentos tóxicos de proteína. Além de identificar as placas, o dr. Silvestre Alavez, pesquisador-chefe, percebeu que a ThT também impede o crescimento da placa, preservando os neurônios, pois devolve a estrutura molecular tridimensional da proteína, fazendo com que o neurônio perceba que não precisa produzi-la mais. O neurônio, além de sobreviver 50% mais tempo do que o usual, permanece saudável. A produção desenfreada da proteína doente beta amiloide é uma das causas da formação de placas de proteína e consequente morte neuronal na doença de Alzheimer.
Se for possível usar o ThT no tratamento em humanos, ele pode ser eficaz até nos casos avançados da doença. No momento, os pesquisadores passaram apenas da pesquisa em lombrigas para modelos em ratos. Ainda há um caminho longo até a utilização em humanos, mas é um achado extremamente promissor.
Epilépticos, atenção!
A revista Neurotherapeutics traz um artigo da dra. Mattia Maroso, de Milão, que abre caminho para outro tipo de tratamento medicamentoso para epilepsia. Os pesquisadores descobriram que anti-inflamatórios podem reduzir dramaticamente as crises em pacientes com epilepsia de difícil controle com o uso dos anticonvulsivantes existentes. O mecanismo descoberto é a inibição de uma enzima chamada ICE/Caspase, que induz a formação da interleucina 1 beta, proteína que provoca inflamação na região epiléptica do cérebro, o que aumenta os disparos elétricos dos neurônios, perpetuando o foco epiléptico.
Com o uso de um anti-inflamatório que inibe essa enzima, os cientistas conseguiram uma importante redução nas crises epilépticas em ratos, demonstrando que o uso de anti-inflamatórios pode ser um importante coadjuvante terapêutico em humanos com crises frequentes e sem controle.