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A lamentável comercialização de refrigerantes açucarados

por Paulo Yokota — publicado 21/04/2014 07h32, última modificação 30/04/2014 17h22
Fica difícil de se compreender por que da insistência nessas bebidas artificiais quando se dispõe de grande quantidade de sucos de frutas naturais

Hoje há um razoável consenso entre os nutricionistas em todo o mundo que parte da obesidade até mórbida que virou uma calamidade pública, inclusive entre os jovens, deve-se ao exagerado consumo de refrigerantes como a Coca-Cola, que numa simples lata de 350 mililitros contém mais açúcar que o recomendado para consumo diário de um ser humano pela Organização Mundial de Saúde. Evidentemente eles não são os únicos culpados, mas contribuem com as junk foods e o sedentarismo para o agravamento do problema sem proporcionarem nenhuma contribuição positiva.

Um artigo publicado por Mike Esterl do The Wall Street Journal, republicado em português pelo Valor Econômico informa que a Coca-Cola continua insistindo em custosas campanhas publicitárias, inclusive na próxima Copa do Mundo no Brasil, visando à expansão das vendas do seu produto que é o carro chefe da empresa. O artigo informa que os norte-americanos nos últimos 13 anos vêm reduzindo o seu consumo, que também atinge as vendas da Diet Coke. A surda campanha mundial, inclusive boca a boca, contra o consumo desses refrigerantes parece estar proporcionando alguns efeitos.

Mesmo dentro da empresa Coca-Cola informa-se que existem vozes que recomendam a sua diversificação, principalmente na linha de sucos de frutas, bebidas sem gás, energéticos, bebidas isotônicas e água. A tendência de queda no consumo dificulta a atuação de muitas empresas do setor, mas para a Cola-Cola ela é vital, pois 75% de suas vendas são de refrigerantes.

Muitos dos seus executivos continuam acreditando que a Coca-Cola é mágica, e suas campanhas publicitárias se voltam também para as marcas Sprite e Fanta que são semelhantes, notadamente nos mercados emergentes como o brasileiro e o mexicano. No passado havia uma desconfiança de que a Coca-Cola continha algum ingrediente que fidelizava os seus consumidores.

Existem hoje esforços para o aumento do uso do aspartame, o principal adoçante artificial dos refrigerantes dietéticos. Também a estévia, um adoçante natural está sendo usado pela Coca-Cola em diversos países. Fica difícil de se compreender por que da insistência nessas bebidas artificiais quando se dispõe de grande quantidade de sucos de frutas naturais, que, além de conterem açúcares mais facilmente absorvíveis pelo corpo humano, podem contar com outros variados nutrientes saudáveis.

Em muitas partes do mundo ampliam-se a produção e o consumo de refrigerantes mais adequados para a saúde, como os que possuem base no café, nos diversos chás, e no cacau. Eles podem ser mais recomendáveis se controlados nas quantidades de açúcar, bem como se contiverem a cafeína, que está sendo apontada pelos cientistas como um componente que pode reduzir os riscos de doenças como Alzheimer e Parkinson. Pesquisa-se no controle de seus efeitos colaterais para algumas pessoas, bem como no aumento da intensidade da cafeína.

Também o guaraná, o açaí e outros produtos saudáveis da biodiversidade brasileira estão com o consumo em alta, mas precisam que sejam tecnicamente elaborados para não se tornarem somente refrigerantes sem nenhum efeito energético. A água de coco, com um sistema de conservação adequado, é muito bem aceita pelos consumidores. Alem de outros que utilizam frutas naturais como a laranja, a maçã, a uva, o abacaxi, a melancia, o melão e dezenas de outros que atendem aos paladares mais variados, sendo também nutritivos.

É de se esperar que os empresários do setor de refrigerantes tenham também uma consideração moral, pois podem produzir alternativamente produtos que contribuem para a saúde pública para obterem seus legítimos lucros com eficiência, ligando suas imagens com estes esforços. Se nas suas campanhas, na maioria relacionadas com os esportes, puderem estimular mais exercícios físicos, estariam contribuindo também para que seus consumidores continuem saudáveis, com a possibilidade de continuarem seus clientes ao longo de suas vidas, darão também uma lição de sustentabilidade.

Com a maior disseminação das informações os consumidores de todo o mundo estão cada vez mais conscientes, e seria uma grande vantagem se as empresas e seus dirigentes tivessem uma imagem positiva de sua contribuição para o bem estar da humanidade.

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