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2011, o ano da mulher

por Rogério Tuma publicado 10/01/2011 10h32, última modificação 10/01/2011 10h32
O grande desafio do Brasil é melhorar a assistência às mães e aos recém-nascidos. Por Rogério Tuma

O grande desafio do Brasil é melhorar a assistência às mães e aos recém-nascidos

Se quiser manter as mesmas taxas de melhora da expectativa de vida do brasileiro, o ministro da Saúde deve cuidar melhor da assistência à mulher e ao recém-nascido. Eles têm recebido pouca atenção no mundo todo. É, contudo, a população mais vulnerável nos países em desenvolvimento e, de acordo com as expectativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a humanidade ficará bem aquém das metas estipuladas para esse segmento.

Se no mundo desenvolvido os resultados são animadores, com novas descobertas para fecundação e melhora das técnicas de parto e suporte ao recém-nascido, no mundo em desenvolvimento é só catástrofe. Nos últimos dias, em Adelaide (Austrália), foi anunciada uma nova medicação a ser comercializada ainda este ano com um fator de crescimento natural, o GM-CSF, que protege embriões artificialmente implantados no útero materno e os tornam mais resistentes.

A fecundação in vitro passa a ter uma taxa de sucesso 20% maior. Mais impressionante é o aumento favorável entre as mulheres que já tentaram fecundação in vitro sem êxito. Essas conseguiram um aumento de 40% na taxa de gravidez.

Outro estudo publicado em janeiro na revista Obstetrics & Gynecology, pela pesquisadora Joy Hawkins, mostrou que, de 1991 a 2002, ocorreu apenas uma morte materna no parto por milhão de nascimentos vivos nos EUA. Isso representa uma redução de mais de 60% em relação à década anterior. De acordo com Hawkins, o resultado deve-se à melhora do monitoramento e das técnicas de anestesia.

Do lado pobre do mundo, o cenário é assustador. Todo ano morrem 8 milhões de crianças com menos de 5 anos e quase 400 mil mulheres durante a gravidez e o parto. Apesar de alguns países asiáticos e africanos terem reduzido pela metade a mortalidade materna, as taxas podem ser até cem vezes maiores do que nos paí­ses desenvolvidos.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, estamos na casa dos 60 óbitos maternos a cada 100 mil nascimentos, número provavelmente subestimado, enquanto os países desenvolvidos beiram a casa dos 10 por 100 mil. Conseguimos uma redução de 35%, enquanto a China, se seus dados forem verdadeiros, reduziu em 75% a mortalidade materna na ultima década.

Existem dados mais preocupantes fora daqui. A Índia, nosso parceiro no BRIC, tem a triste estatística de ser responsável pela morte de 1,8 milhão de crianças nos últimos 20 anos. Óbitos relacionados à violência contra suas mães. Um estudo da Universidade de Saúde Pública de Harvard, divulgado na revista Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine de 4 de janeiro, prenuncia que a Índia não conseguira atingir a meta de redução de 75% na mortalidade materno-infantil pela agressão que as mulheres sofrem pelos seus maridos e pelo pior tratamento que as crianças do sexo feminino recebem por causa do fator cultural.

Um grande problema que a OMS enfrenta ao monitorar o problema é a confiabilidade dos dados. Por isso, no fim do ano passado, criou um comitê para formatar critérios confiáveis da qualidade da saúde materna e do recém-nascido entre os países membros. Os resultados serão apresentados em maio de 2011.
Como no Brasil os dados são pouco fiéis e os mais completos apresentados oficialmente datam de 1994, está mais do que na hora de identificarmos qual a verdadeira situação em que nos encontramos. E promover uma melhora considerável na sobrevida das parturientes e sua prole. Também precisamos nos preparar para a geração de baby boomers que surgirá nesta década com a evolução da situação financeira das famílias pobres.

O Ministro da Saúde terá quatro anos para preparar esse terreno e ter mais sucesso que os americanos. Nos EUA, o preço do despreparo por mais de 20 anos obrigou o governo a criar a toque de caixa escolas, empregos e até fabricar guerras para ter onde colocar tanta gente.

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