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Número 916,

Saúde

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Novidade no câncer de mama

por Riad Younes publicado 02/09/2016 12h17, última modificação 04/09/2016 05h01
O Intrabeam, irradiação intraoperatória, implica menos tempo de internação e menor custo
Radioterapia

Uma opção para quem está na fila dos aparelhos do SUS

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que ao redor de 58 mil novos casos de câncer de mama serão diagnosticados em 2016. A maioria das pacientes será submetida a tratamento local do tumor, com emprego da radioterapia para complementar a cirurgia.

O benefício no controle da doença é claro e a indicação é unânime entre os especialistas, consolidada após décadas de estudos científicos. Sua omissão, ou até o simples atraso de seu início, mesmo em casos precoces e de bom prognóstico, pode levar a maiores índices de recidiva da doença e risco de morte.

O Brasil tem carência de equipamentos disponíveis de radioterapia clássica, com déficit estimado de 135 máquinas, conforme auditoria do Tribunal de Contas da União. Para efeito comparativo com o Reino Unido, 92% dos tratamentos com radioterapia para o câncer de mama se iniciam em 30 dias, com mediana de 15 dias, enquanto no Brasil só 15,9% se iniciam nos mesmos 30 dias, com mediana de 89 dias.

Uma nova opção para o tratamento do câncer de mama inicial é a irradiação intraoperatória de mama (também conhecida como Intrabeam). Sua indicação é para tumores precoces de mama candidatos à cirurgia, e apresenta os mesmos índices de controle de uma radioterapia tradicional, com menor custo e menos efeitos colaterais.

O equipamento, portátil, fica situado no próprio centro cirúrgico. Como o tratamento é realizado em sala cirúrgica, e em uma única dose, não sobrecarrega o serviço de radioterapia, permitindo ainda que se reduzam os custos com transporte, estada e perda de dias úteis das pacientes, que, se tratadas de forma convencional, teriam de passar seis semanas de radioterapia externa clássica.

No Reino Unido, onde o sistema de saúde público conhecido como NHS (National Health Service) é o maior, o mais antigo do mundo e o mais rigoroso para a aceitação de novos procedimentos terapêuticos, a irradiação intraoperatória foi aprovada como uma das opções de tratamento do câncer de mama.

Um interessante artigo publicado na British Medical Journal comparou esses “custos” entre 485 mulheres. Aquelas tratadas com radioterapia intraoperatória economizaram em conjunto 8 milhões de quilômetros, 170 mil horas que seriam gastas em deslocamento e 1,2 mil toneladas de CO2 que seriam emitidas pelos meios de transporte.

Já o serviço de radioterapia do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (Haoc) foi pioneiro em São Paulo em adquirir e aplicar o tratamento de pacientes com câncer de mama precoce, utilizando a tecnologia do Intrabeam. Conversamos com o doutor Rodrigo Hanriot, chefe da radioterapia do Haoc sobre essa tecnologia:

CartaCapital: Como está sendo a receptividade e satisfação das pacientes que o senhor tratou com Intrabeam?

Rodrigo Hanriot: A aceitação entre as pacientes é unânime, e os mastologistas têm-se mostrado positivamente surpresos com a eficiência do método.

CC: O uso de radioterapia durante a cirurgia aumentou a taxa de complicações pós-operatórias?

RH: Não. Não houve mudança na incidência de complicações nos 18 meses após o procedimento, em comparação à cirurgia sem radioterapia intraoperatória.

CC: E os custos do Intrabeam, comparados com radioterapia convencional?

RH: Nossa experiência demonstrou um custo total da radioterapia intraoperatória 30% inferior ao tratamento clássico. No SUS, o Intrabeam ainda não está disponível, mas teria a vantagem adicional de liberar perto de 20% a 25% das pacientes que ocupam a concorrida agenda dos poucos aparelhos de radioterapia disponíveis na rede pública, minimizar os 20% de recidiva nas mulheres que esperam na fila acima do prazo limite e que eventualmente sequer são tratadas. E eliminam custos de transporte diário e o abandono do tratamento pela falta de recursos. 

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