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Número 904,

Cultura

Turismo

Estação Europa

por Nirlando Beirão publicado 13/06/2016 04h45, última modificação 13/06/2016 05h26
O verão bate às portas de recantos que o turismo de multidões costuma ignorar
Peloponeso

turismo na Europa chacoalha – no bom e no mau sentido. O fantasma do terrorismo islâmico, aguçado pelos dois misteriosos desastres em aviões da Egypt Air, provocou um ansioso festival de cancelamentos em resorts praianos não apenas do Egito, mas da Tunísia, de emirados do Golfo e até do Marrocos.

O mesmo perigo assombra a França, aliás, Paris. Turistas ainda assustados pelo massacre do fim do ano vão trocando a capital – ainda recordista em visitantes estrangeiros em todo o mundo – por recantos amenos da Provence, da Normandia, da Aquitânia.

Quem também tem se beneficiado – e o verão promete mais – são o Mediterrâneo espanhol, a costa tirrena da Itália (incluindo a Sicília e a Sardenha) e a Grécia, esta com a vantagem de oferecer preços bem convidativos.

Em 2015, 23,5 milhões de forasteiros visitaram a Grécia. The Lonely Planet, guia especializado em escarafunchar surpresas nada óbvias, aponta o Peloponeso, península ao sul de Atenas carregada de paisagem e de história, como aposta número 1 para aqueles que vão buscar, na temporada que começa agora em junho, uma epopeia de prazer.

Peloponeso, Grécia 

Ao rico cenário de vilarejos pedregosos, mares de remanso e, no inverno, montanhas coradas de neve, além de sítios históricos como Olímpia e Micenas, vêm se agregar este ano duas atrações a mais: a trilha Melanon, que serpenteia por mais de 50 quilômetros de vales e colinas bem no coração da península, e visitas gulosas na região de vinhos da Nemeia, que ganhou destaque no mapa-múndi da enologia.

O Peloponeso, apêndice geográfico logo ao sul de Atenas, é menos explorado pelo turismo de verão do que as luxuriantes ilhotas do Mar Egeu, mas o Lonely Planet sugere que não há aventura comparável à experiência de mergulhar entre os destroços de navios naufragados diante do litoral de Navarino.

Lviv, Ucrânia

Lviv, na Ucrânia

O cantinho mais sossegado de um país sublevado, a noroeste da Ucrânia, território colhido à Polônia depois da Guerra, guarda a fisionomia encantadoramente clássica de cidades como Praga e Cracóvia, outras duas pérolas arquitetônicas e culturais da Europa Central.

Em Lviv, com seus 800 mil habitantes, onde a antiga influência judaica é nítida, o clima de verão – e de todas as estações – é de paz e festa. Há programação para todos os dias e todas as noites, em torno de café, cerveja, jazz e, como não poderia deixar de ser, debates políticos. E o câmbio está a favor.

Aarhus, Dinamarca

Aarhus, na Dinamarca

Dá para antecipar desde já os sabores surpreendentes desta que vai ser, em 2017, a Capital Cultural da Europa e a Região Europeia da Gastronomia. Aarhus é a segunda maior cidade da Dinamarca, com 240 mil moradores, e faz supor, com aquela atmosfera cool e moderninha, que acabou de sair da prancheta de um estúdio de design.

O verão reitera sua vocação de cidade voltada para o ar livre, fotogênica em seus espaços públicos e seus restaurantes estrelados. O Dokk1 é um prédio, digamos, intergaláctico erigido em face das antigas docas do porto de Aarhus. Abriga a maior biblioteca da Dinamarca, com belo acervo de audiobooks, ebooks e games.

Veneza, Itália

Vathi, Peloponeso: cidade de pedra, trilhas sinuosas, mar de história

As multidões que congestionam os labirintos propositais de Veneza não precisam se aconselhar com guia algum para eleger a cidade como destino de suas viagens, mesmo no verão, abrasador e meio pestilento. Nesta temporada, Veneza vai se engalanar para comemorar os 500 anos do Ghetto.

Triste história: numa ilhota bem no coração da cidade, o governo dos doges segregou os judeus (veio daí a palavra gueto). O lado bom é que o Ghetto preservou a memória da tradição judaica – sinagogas e até um Museu Judaico. Uma montagem do Mercador de Veneza, de Shakespeare, está no programa.

Dordogne, França

Dordogne

É a mais perfeita definição – englobada na região do Périgord – do que se pode chamar da “França profunda”. Na alma, na paisagem e na história. E bota história nisso: o acervo arqueológico descoberto nas grutas de Lascaux (está para ser aberto o sítio de Lascaux 4) e ao longo do vale do Rio Vézère faz da Dordogne a coisa mais parecida com o Jardim do Éden.

Passeios de caiaque num cenário de natureza luxuriante despistam a culpa causada à balança pela melhor gastronomia da França, bistrôs discretos de comida magnífica, mercados ao ar livre, terra de trufas negras e do foie gras.

Um planeta não tão solitário

Farol de Texel
Farol de Texel: os catamarãs estão chegando
Mais cinco lugares onde o sossego pode trazer emoção.

O guia Lonely Planet acrescenta aos top 5 outros destinos para se ficar de olho neste verão europeu que se aproxima. Tem para todos os gostos:

Warwickshire, Inglaterra: seus ambientes de evocação shakespeariana, como o castelo de Kenilworth, combinam com o quinto centenário da morte do bardo. O antigo refúgio da rainha Elizabeth I, em ruinas, acaba de ser restaurado e aberto à visitação depois de três séculos e meio.

Extremadura, Espanha: tem as mais imponentes ruínas romanas da Península Ibérica em torno de Mérida, pérolas medievais como Trujillo e Cáceres e, no Parque Nacional de Monfragüe, um impressionante santuário de vida selvagem.

Costa oriental de Tenerife, Ilhas Canárias: a tiara de vilarejos litorâneos traz a tranquila Abades dos pescadores, observada do alto por um antigo leprosário, e El Medano, praia de areias imaculadas subitamente partida ao meio por um cone vulcânico.

Texel, Holanda: o litoral norte tem na ilha de Texel (pronuncia-se Tes-sel) um sossego só, a ser quebrado neste 25 de junho pela maior regata de catamarãs em todo o mundo (Ronde om Texel). Seu parque ecológico é igualmente famoso.

Dalmácia setentrional, Croácia: xodó do verão europeu, o litoral croata ainda conserva em razoável segredo em sua parte norte, com Zadar como polo, bem distante das conhecidas Split e Dubrovnik. Ao longo da costa, a cadeia de montanhas Velebit, reserva mundial de biosfera pela Unesco, ajuda a preservar os mistérios.