Você está aqui: Página Inicial / Revista / E eles vão levar? / A ofensiva golpista
Número 897,

Política

Opinião

A ofensiva golpista

por Mauricio Dias publicado 15/04/2016 11h13
A vitória eleitoral de Dilma resulta de uma disputa legal, a tentativa de impeachment baseia-se em um factoide
Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Oposição

A oposição sempre teve interesse em embaralhar as regras do jogo político

Mais de 50 anos se passaram desde que O Globo apoiou o golpe civil-militar de 1964. O jornal ajudou a derrubar o presidente Jango e, sem constrangimento, deu empurrões para atropelar a democracia.

Agora, após o bisonho pedido de desculpas ao leitor pelos 21 anos da ditadura, sob a qual se abrigou para crescer e enriquecer, o mesmo jornal trama de novo contra a Constituição no contexto de um vergonhoso ardil parlamentar.

O poderoso império Globo, no entanto, é parte de uma impressionante engrenagem ainda maior movida para acabar com o governo de Dilma e a intenção de bloquear a possível candidatura de Lula, em 2018.

Esta candidatura que era incerta agora se tornou uma certeza.

Às forças da mídia e da oposição agregaram-se instituições, ao todo ou em parte, de seus integrantes. Há exemplos claros e inconfundíveis desta coalizão na Justiça, no Ministério Público Federal, na Polícia Federal, na Federação das Indústrias de São Paulo e na Ordem dos Advogados do Brasil.

São todos agentes de poder, influência e importância, nas decisões tomadas a exemplo das ações do juiz Sergio Moro, em 1ª instância, ou no topo da magistratura com as diatribes engajadas do ministro Gilmar Mendes.

A imprensa seguiu e ainda segue esse caminho. Não se trata de um voo cego. A mídia caminha unida desde que o Partido dos Trabalhadores ganhou, com Lula, a eleição presidencial de 2002. Passaram, todos, a rezar pela mesma cartilha.

Às vezes, no entanto, liam parágrafos diferentes como foi no caso do contraste ocorrido entre os jornais O Globo e a Folha de S.Paulo. O primeiro se dispôs a engolir Michel Temer com casca e tudo. A Folha, por sentimento pudico, propunha o afastamento da presidenta e do vice. Perdeu.

 A oposição sempre teve interesse em embaralhar as regras deste suspeito jogo político. Desse objetivo nasceu o enfadonho debate sobre as “pedaladas fiscais” para as quais em cada cabeça havia uma sentença. Um disfarce da oposição oferecido pelo controvertido Tribunal de Contas da União (TCU). Foi difícil para o cidadão distinguir entre uma coisa e outra. Entre elas abriu-se um fosso com espessura de papel.

Este sempre foi um jogo falso dos golpistas.

Para a oposição, em parte conservadora em momento de ação reacionária, já não faz sentido discutir as “pedaladas fiscais” saídas do relatório do TCU composto por políticos aposentados e funcionários amestrados de viés político-partidário. É um factoide.

A reeleição de Dilma Rousseff, resultado de uma disputa legal, projetou mais quatro anos de poder para os petistas. Quatro vezes quatro resulta em dezesseis. Um tempo longo demais para um operário-metalúrgico continuar no comando de onde promove o choque entre os interesses populares à espera de arroz e feijão e não de uma fatia do bolo.

É preciso ter cuidado com a restrição à distribuição de renda proposta por Lula. A liberdade política no Brasil ainda é muito vulnerável.