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Número 895,

Cultura

Hollywood

Mulher Maravilha e o poder das heroínas

por The Observer — publicado 10/04/2016 05h52
Ex-militar e ex-miss, Gal Gadot foi considerada 'a melhor coisa' de 'Batman vc. Superman'
Alfredo Estrella/AFP
Gal-Gadot

Em Batman vs. Superman: A origem da justiça, Gal Gadot é saudada como 'a melhor coisa do filme'

Por Scarlett Russell

Gal Gadot está quase sem voz. “Pareço um sapo. Desculpe”, coaxa. Suas cordas vocais inflamadas talvez não causem surpresa, a se considerar sua agenda recente. Entre as filmagens de Mulher-Maravilha, em Londres, e viagens entre Los Angeles, para reuniões, e Tel-Aviv, sua cidade natal, ela chega ao fim da gigantesca turnê mundial de divulgação de Batman vs. Superman: A origem da justiça. Gadot faz no filme sua estreia como Diana Prince/Mulher-Maravilha. Aparece apenas em algumas cenas.

O filme sofreu duras críticas. Gadot não. The Guardian a saudou como “a melhor coisa do filme”. A Forbes disse que “vemos a Mulher-Maravilha apenas o suficiente para querermos mais”. E o site de entretenimento The Wrap afirmou que somente ela “injeta alguma vitalidade real na mesmice entediante dos super-heróis”. O elogio, em parte, é pelo fato de a Mulher-Maravilha não ter sido “objetificada” nem precisado ser salva. Não há cenas de amor e, embora pareça sedutora diante do Bruce Wayne/Batman de Ben Affleck, ela o supera em todas as oportunidades e chuta os bandidos com o auxílio de seu famoso laço.

Agora ela está a poucos meses de filmar Mulher- Maravilha, a história original de como a princesa Diana Prince se tornou a guerreira deusa titular. A internet fervilhou sobre o filme quando uma imagem oficial lançada mostra Robin Wright, de House of Cards, em traje militar como a tia guerreira de Diana. A diretora Patty Jenkins tuitou com excitação: “Muitos personagens ótimos e variados virão”. Será a primeira vez que uma super-heroína ganha um filme só para ela. 

Gadot repetirá seu papel nas duas sequências do épico da DC Comics: as partes 1 e 2 de A Liga da Justiça. Foi o fato de ser um modelo de comportamento que deixou Gadot, prestes a completar 31 anos, tão entusiasmada para interpretar a personagem, apesar do compromisso de seis anos. “Adorei a ideia de retratar essa mulher forte.

Ela tem tudo a ver com amor, igualdade, verdade, compaixão e justiça. Mas tem um algo a mais”, diz. “Para mim, é importante que homens, mulheres, meninos e meninas possam se relacionar com ela, especialmente minha filha. Quero que ela veja que as mulheres também podem ser super-heroínas. Quero que ela acredite que tudo é possível.” Gadot é mãe de Alma, de 4 anos.

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A personagem ganha os holofotes no momento em que as atrizes reivindicam direitos iguais (Foto: Alfredo Estrella/AFP)

O diretor de Batman vs. Superman, Zack Snyder, escolheu Gadot em 2013, quando ela saiu da relativa obscuridade para a borda da celebridade global. Entre 2009 e 2015 ela foi a motociclista rebelde Gisele em quatro filmes da franquia Velozes e Furiosos, seu primeiro trabalho em Hollywood, em que ela mesma fez várias de suas cenas perigosas.

Antes de ser atriz, Gadot foi modelo (aos 18 anos ganhou o concurso Miss Israel) e antes serviu por dois anos no Exército como treinadora de combate na Força de Defesa Israelense. Quantas atrizes de Hollywood ganharam uma condecoração militar e uma coroa? “Eu não lutei, mas mantive os soldados em forma”, diz ela.

“O Exército nos torna disciplinados, mas a única semelhança que encontro entre essa experiência e a de fazer um filme é o lado físico e a intensidade. O treinamento que fiz no Exército e como Mulher-Maravilha foi muito exigente.”

Gadot relata uma infância “muito feliz, muito ativa” em Rosh HaAyin, onde preferia jogar tênis e queimada a esmalte de unhas ou cavalos. “As israelenses são duras. Sabemos quando devemos nos impor.” 

Atrizes que “se impõem” é uma grande novidade em Hollywood hoje em dia. Desde que Patricia Arquette ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2015 e aproveitou seu discurso para falar sobre os salários desiguais em Hollywood, a disparidade de gêneros é um tema quente.

Aplaudida por Meryl Streep na plateia, Arquette anunciou estar “na hora dos direitos iguais para as mulheres”. Em 2014 os e-mails da Sony foram invadidos e revelaram que Jennifer Lawrence havia ganhado muito menos por seu papel principal em Trapaça do que seus colegas homens. Em outubro de 2015 ela escreveu um artigo no qual manifesta raiva de si mesma por não negociar com firmeza seu pagamento. 

A opinião de Gadot? “Ainda há muito espaço para que muitas outras mulheres entrem na indústria, não só como atrizes, mas como produtoras, autoras e diretoras. Acho que estamos em uma era interessante para as mulheres e o tema ganha impulso, mas há um longo caminho a percorrer.” 

Ela acha importante que as jovens atrizes como Lawrence se manifestem sobre desigualdade? “É claro. Parece o momento perfeito para trazer de volta a Mulher-Maravilha. Há tantos heróis de quadrinhos homens excelentes. Estou feliz que mais mulheres sejam representadas.”