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Número 889,

Política

Affairs

FHC, Miriam e a Brasif

O extraordinário caso do ex-presidente FHC com a jornalista Miriam Dutra
por Redação — publicado 19/02/2016 19h25, última modificação 21/02/2016 08h30
Serra-e-FHC

De Miriam cuidou FHC. Da irmã, o prestimoso Serra (Paulo Pinto/Estadão Conteúdo)

A jornalista Miriam Dutra, ex-amante de Fernando Henrique Cardoso, decidiu falar. Primeiro à Brazil com Z, revista publicada na Espanha, onde mora. Depois para a Folha de S.Paulo.

Miriam, para quem não se lembra, trabalhava na Rede Globo, manteve uma longa relação com o ex-presidente e, quando engravidou, foi exilada pela emissora na Europa para não atrapalhar a reeleição do “príncipe”.

Sempre se suspeitou que Tomás fosse filho de FHC, mas um exame de DNA descartou essa hipótese. A jornalista desconfia do resultado do teste.

Essa é uma história conhecida. Mais interessantes são as novas informações prestadas pela ex-amante. Antes de engravidar de Tomás, conta, fez dois abortos, ambos patrocinados por FHC. E em um momento de dificuldade financeira na Europa, recebeu apoio do ex-presidente por meio de uma operação sui generis.

Com base nos atuais parâmetros acusatórios do Ministério Público e da Polícia Federal, é possível afirmar que Miriam apresentou provas muito mais contundentes contra o tucano do que a força-tarefa da Lava Jato foi capaz de reunir até agora em relação ao triplex no Guarujá e ao sítio de Atibaia que não pertencem a Lula.

A jornalista exibe um contrato de prestação de serviços com a Brasif, à época administradora dos free shops nos aeroportos brasileiros (em 2006, a empresa vendeu o negócio para a suíça Dufry por 500 milhões de dólares). Em tese, Miriam deveria produzir análises sobre o mercado de vendas a varejo a viajantes, mas afirma nunca ter pisado em um free shop. Recebia 3 mil dólares mensais sem trabalhar.

Miriam-Dutra
Antes de engravidar de Tomás, conta, fez dois abortos patrocinados por FHC
A ex-amante soube depois, por meio do próprio FHC, tratar-se de uma ajuda de custo. O ex-presidente repassou 100 mil dólares à Brasif, que usou uma offshore nas Ilhas Cayman para transferir mensalmente o dinheiro à jornalista.

Resta entender por que o ex-presidente se valeu de uma empresa com contratos em aeroportos públicos e de uma triangulação em um paraíso fiscal para pagar a pensão. FHC admite manter dinheiro fora do País, mas nega a operação com a Brasif.

Precisa se entender com o dono da empresa, Jonas Barcellos. Este confirmou à Folha de S.Paulo ter realizado uma transação a pedido do tucano, embora afirme não se lembrar dos detalhes. Pergunta da própria ex-amante: por que ninguém nunca investigou as contas do tucano no exterior?

Válida outra pergunta: como se deu que a irmã de Miriam fosse empregada no gabinete do senador José Serra, e o seja até hoje, sem nunca ter aparecido por lá? Essa ausência, entre outras coisas, contraria uma regra do Senado: quem ali trabalha tem de bater ponto.

P.S.: FHC acaba de presentear a atual namorada com um apartamento em Higienópolis avaliado em 950 mil reais.

*Publicado originalmente na edição 889 de CartaCapital, com o título "Estas sim, são provas"