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Número 885,

Economia

SwissLeaks

Acabam as desculpas para a CPI do HSBC

por Redação — publicado 22/01/2016 11h48, última modificação 23/01/2016 08h32
O governo francês vai compartilhar informações com os parlamentares brasileiros
Citizenside/Rémy Genoud/AFP
HSBC

O banco é conhecido como refúgio de sonegadores, corruptos e narcotraficantes

O Brasil está diante da oportunidade de esclarecer um dos maiores escândalos de evasão fiscal de sua história. O governo da França decidiu compartilhar com a CPI do HSBC, instalada no Senado, informações sobre 8,6 mil brasileiros com contas secretas na filial do banco em Genebra, cujos depósitos entre 2006 e 2007 totalizavam 7 bilhões de dólares.

Os dados sobre as contas foram vazados por Hervé Falciani, ex-funcionário do HSBC Private Bank. Em 2008, ele roubou informações sobre mais de 106 mil correntistas de 203 países, cujos depósitos somavam 100 bilhões de dólares na filial suíça do banco, conhecido refúgio de sonegadores, corruptos e narcotraficantes de todo o mundo. Desde então, ele coopera com o Ministério da Justiça e magistrados franceses.

Em fevereiro de 2015, o diário francês Le Monde e o Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo divulgaram listas parciais dos titulares dessas contas. De lá para cá, as autoridades da França decidiram compartilhar informações com a Receita Federal, o Ministério da Justiça e a Procuradoria-Geral da República. A CPI do HSBC patinava, porém, sem ter acesso aos dados dos correntistas brasileiros.

Os senadores poderiam ter recorrido à ajuda de Falciani. Em julho de 2015, ele manifestou, em entrevista a CartaCapital, a disposição de vir ao Brasil para cooperar nas apurações, mesmo sob risco de ser preso, em virtude da inclusão de seu nome na lista de procurados da Interpol.

Agora, os parlamentares brasileiros não têm mais desculpas para não avançar nas investigações. Terão, porém, de competir contra o relógio. A CPI tem até o fim de abril para concluir os seus trabalhos.