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Número 884,

Cultura

Papinho Gourmet

Escola do quê, mesmo?

por Márcio Alemão publicado 22/01/2016 11h04, última modificação 23/01/2016 08h31
Gostei do termo “aquilo”, pois é algo próximo disso que encontrei após uma década de alegrias, muitas delas descritas aqui nesta revista
Ilustração: Estella Maris Fotos: Istockphoto
escola de gastronomia

"Hoje a bebida chega pronta, certo?

Parecia um campo de refugiados que fora abandonado. E, por algum motivo, meia dúzia deles ainda permanecia no local.

– Uma imagem desoladora, imagino.

– Como não ser? Agnolotti já mutilados por inúmeras colheradas de outros famintos hóspedes, o adiantado da hora, a permanência cruel nas panelas com fundo aquecido em constante produção de calor...

– Chega! Já entendi.

– A pior parte eu não contei.

– Não?

– Uma moça, uma das que supervisionam o bufê...

– Espera. Onde você estava?

– No Grande Hotel de Campos do Jordão.

– Do Senac? O que é escola?

– O próprio. Posso ir adiante?

– Segue.

– Pergunto, pois, à responsável que naquele exato momento presenciava a mesma cena trágica que eu: “A senhora vai repor esse prato?” Olhou-me a citada com certo estranhamento e mandou essa pérola: “Até vou, mas ainda tem muito, aqui!” 

– E aquilo é uma escola?

– Gostei do termo “aquilo”, pois é algo próximo disso que encontrei após uma década de alegrias, muitas delas descritas aqui nesta revista.

– Falou com alguém? 

– Claro. A maître, gentil, que se desculpou mas não conseguiu salvar o todo de um péssimo momento. Eu gostava de citar a maneira como eles serviam drinques. Você pedia um gim-tônica, escolhia o gim e eles chegavam até a mesa com a bandeja, o gim, o balde de gelo, serviam o destilado e perguntavam se queria que adicionasse a tônica ou não.

– Hoje a bebida chega pronta, certo?

– E é colocada na mesa sem um guardanapo, um apoiador.

– Talvez a gente possa dizer que o nível despencou geral.

– O triste é que eu acho que isso é verdade. 

– Ou não! Será que não foi você, eu, nós que perdemos a embocadura pra comida, pra bebida, pra serviços?

– Taí! Deve ser isso. No mesmo local, há muito tempo, instalou-se uma unidade da A Tal da Pizza. Mudou de nome, virou Arte da Pizza, e dessa vez descobri que mudaram a receita original e o que servem está muito perto de uma pizza de padaria ruim.

– E ninguém reclama.

– E um spaghetti ao alho e óleo que pedi para ser preparado na hora, na tal “estação de massas”? Te digo o que fez o rapaz: untou a frigideira com azeite. Um nada de azeite. Jogou meia colher de sopa de alho triturado, cru, esperou 10 segundos e misturou com a massa.

– É uma escola, certo?

– Pátria Gourmet Educadora.