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Número 884,

Cultura

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Destino: 2016

por Nirlando Beirão publicado 09/02/2016 05h16
Ideias para lugares novos e viagens não convencionais
Reprodução
shinkansen

2- Hakodate, ponto final da viagem na capital japonesa, é famosa por seu mercado de frutos do mar

Lonely Planet nasceu, em 1972, na Austrália, para servir de roteiro – com feitio alternativo – para turistas de muita disposição nas pernas e pouco dinheiro no bolso. O negócio prosperou, em guias múltiplos, mas não perdeu sua pegada não convencional. Todo início do ano, Lonely Planet convoca a tribo de aventureiros a desbravar lugares novos e surpreendentes. A lista de 2016 acaba de ser divulgada, com 31 destinos (não perguntem por que 31). Aqui estão os principais (o número indica o ranking no guia). Para o turista brasileiro a conveniência é poder se equilibrar no desfiladeiro do dólar a 4 reais, desafio hoje muito maior do que o dos trekkings, dos rappels e das escaladas.

1- Reserva Natural de Chinandega, Nicarágua

Ao pé do vulcão San Cristóbal, ponto culminante da Nicarágua, a 1.750 metros do nível do vizinho Pacífico, acaba de se instalar um centro de ecoturismo, com estalagem incluída. O atrativo é se arriscar numa escalada – até onde for possível – neste que é um vulcão ativo e, depois, percorrer a rota incrustada por outros vulcões e pontilhada de algumas das mais antigas cidades coloniais da América Central (rutacolonialydelosvolcanes.com).

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2- Nova rota do shinkansen Tóquio - Hokkaido, Japão

A ser inaugurada em maio, esta viagem no trem-bala digno de ficção científica entre a capital japonesa e a ilha mais setentrional do país vai atravessar quase mil quilômetros em menos de quatro horas, o suficiente, porém, para descortinar para o passageiro paisagens que começam em cerejeiras em flor e terminam em montanhas geladas. Hakodate, o ponto final, é famosa por seu mercado de frutos do mar.

3- Parque Nacional de Akagera, Ruanda

Fechado desde 1994, o parque reabre neste início de 2016 sob a administração da African Parks – que opera uma dúzia de resorts de proteção ambiental em todo o continente – e com uma animadora novidade: os leões estão de volta. Tinham sido dizimados por caçadores, mas agora sete desses felinos, importados da África do Sul, ganham o direito a um novo hábitat, brindando os visitantes com sua vistosa majestade sem, desta vez, entrarem na alça de tiro do bicho homem.

4- Ilha de Santa Helena, Atlântico Sul

O fantasma do mais ilustre morador da ilha, Napoleão Bonaparte, que para aquelas lonjuras foi proscrito pelos ingleses depois de Waterloo e lá morreu, não foi incomodado por dois séculos, assim como as 500 magníficas espécies autóctones de animais. A inauguração de seu primeiro aeroporto e o início, em meados deste ano, de voos diretos a partir de Johannesburgo vai abrir aos olhos do mundo a paisagem agreste dessa relíquia do colonialismo britânico.

5- Louvre de Abu Dabi, Emirados Árabes

A primeira franquia do Louvre fora da França é o exemplo de tudo aquilo que – mesmo no requintado mundo da arte – o dinheiro pode comprar. Seu design, assinado por Jean Nouvel, é ambiciosamente futurístico, o prédio em forma de cúpula como que flutuando por sobre um lago artificial. A abertura, este ano, ainda não tem data marcada. Mas o acervo, emprestado de museus e instituições do Primeiro Mundo, é magnífico: entre as 300 obras há Van Gogh, Monet, Da Vinci.

6- Piers flutuantes no Lago de Iseo, Itália

O búlgaro Javacheff Christo é um artista performático que adora intervir em paisagens naturais. Já envelopou o prédio do antigo Reichstag, em Berlim, e plantou 7,5 mil painéis coloridos no Central Park de Nova York. Por 16 dias, a partir de 18 de junho, vai estender uma passarela flutuante pela qual os visitantes poderão trafegar, entre as ilhas de Monte Isola e San Paolo, no Lago de Iseo, na Lombardia, entre Bérgamo e Brescia. “É como andar numa cama d’água”, antecipou Christo.

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7- Novo Canal do Panamá

Cinco bilhões de dólares foram gastos no projeto de expansão daquele que já era considerado, desde sua inauguração, 101 anos atrás, uma maravilha da engenharia moderna. O novo canal vai permitir, a partir de abril, a passagem de transatlânticos de cruzeiros, ao longo de seus 77,1 quilômetros de extensão, que atravessam o exuberante Parque Nacional de Chagres e costeiam a histórica estrada de ferro inaugurada em 1914. Na capital, o Museu do Canal do Panamá ajuda a irrigar a saga.

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8- Campo de Luz, Uluru, Austrália

Uluru é um maciço rochoso que os indígenas do deserto central da Austrália cultuavam como um local sagrado. De 1º de abril até 31 de março de 2017, uma monumental instalação do artista britânico Bruce Munro – outro expert, como Christo, na arte do site specific – vai tentar recriar, com seu Campo de Luz, mais de 50 mil delicadas esferas de vidro ativadas por energia solar, a atmosfera mística do local. Quem quiser ficar até mais tarde terá direito a jantar sob as estrelas (ayersrockresort.com.au).

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10- Bask, ilha de Gili Meno, Indonésia

O alemão David Hasselhoff colhe, nesta frugal lista do Lonely Planet, uma exceção de luxo e stravaganza. Seu resort, a ser inaugurado ainda a tempo do verão do Hemisfério Norte, fica numa ilha situada entre as já manjadas Bali e Lombok. Praia particular de areia branca, restaurante com estrelado, um beach club, um bar de karaokê, um spa estado da arte e um parque de esculturas subaquáticas (baskgilimeno.com).

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14- Trilha para bicicletas, litoral de Gansbaai, África do Sul

Esta é uma rota bastante exclusiva – apenas para quem tem à mão uma dessas bicicletas especiais, pneus mais robustos e aros maiores, as chamadas fatbikes. Só mesmo elas, e a energia inesgotável dos usuários, para vencer os 20 quilômetros de areia e pedra diante do sublime litoral que leva de Gansbaai a Hermanus, a leste da Cidade do Cabo. Em Hermanus, o passeio consiste em estacionar a bike e observar o balé aquático das baleias.

18- Ano Shakespeare em Stratford-upon-Avon

A cidade natal de William Shakespeare prepara-se para, de abril em diante, fazer as honras, em grande estilo, dos 400 anos de morte do bardo. A Royal Shakespeare Company vai revisitar, in loco, boa parte do repertório do teatrólogo e The New Place, o prédio onde ele viveu os últimos 19 anos de sua vida, será reaberto como museu e centro cultural com farta memorabilia ligada a Shakespeare. O dia para estar lá é o 23 de abril, quando o turista pode virar figurante na programação ao vivo da BBC.

 

27- Mercado da Praça Klauzál, Budapeste, Hungria

A Praça Klauzál fica numa região que chegou a ser chamada de “distrito em ruinas”, mas, agora, após providencial lifting urbanístico, recepciona com outros ares o mais antigo mercado de Budapeste, fundado em 1897. São 7 mil metros quadrados de área coberta onde os produtores estocam aqueles itens que fazem a merecida reputação da gastronomia húngara. Fica aberta todos os dias, das 7 da manhã às 10 da noite (nos domingos, até as 6 da tarde).

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