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Número 884,

Saúde

Prevenção

Câncer de próstata

por Rogério Tuma publicado 21/01/2016 04h36
Se você for homem e envelhecer, provavelmente terá esse tipo de câncer. Dificilmente morrerá dele
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O câncer da próstata é o segundo mais comum entre homens, perdendo apenas para câncer de pulmão.

Depois de décadas de bom serviço ao homem, a próstata, uma glândula que fica logo abaixo da bexiga urinária, vai se hipertrofiando, passa do tamanho de uma noz para o de uma maçã, começa a ter inflamações. Depois disso – se é consequência ou não –, aparece o câncer.

Mais de 97% dos tumores de próstata ocorrem em homens com mais de 50 anos, 10% dos homens com 70 anos ou mais têm câncer de próstata.

A incidência depende da idade média e da etnia da população, porém, o maior  peso é de quão vigilantes são o paciente e seu médico. No Brasil, ocorre em 76,2 homens a cada 100 mil, e nos Estados Unidos é de 98,2. Na Inglaterra e França, onde ainda se discute se vale a pena fazer PSA preventivamente, a incidência está entre 70 e 80.

A mortalidade do câncer de próstata não é tão alta: enquanto 30 homens a cada 100 mil morrem de câncer pulmonar, apenas 8 morrem de câncer prostático todo ano.

Quanto mais precoce se fizer o diagnóstico, maior será a chance de cura. Se o câncer estiver localizado apenas na próstata, o tratamento é cirúrgico e curativo.

O diagnóstico precoce é feito pelo toque retal, procedimento simples que deve ser feito, no mínimo, uma vez ao ano após os 40 anos de idade. Mas também há um exame de sangue que serve como teste complementar.

Uma proteína característica da próstata circula no sangue e transformou-se em um marcador biológico facilmente identificável, o PSA, que permite um diagnóstico precoce do tumor, mas tão precoce às vezes que tem induzido a retirada cirúrgica da próstata com tumores que poderiam não ter se desenvolvido a ponto de criar problemas ao seu hospedeiro. 

Com o teste do PSA iniciado em 1986, o diagnóstico de câncer de próstata mais do que dobrou em dez anos. O PSA mudou a história natural da doença. Um estudo europeu com 240 mil homens seguidos desde 2000 mostra uma redução de mortalidade de 27% com o diagnóstico precoce.

O PSA também tem um papel prognóstico: um estudo mostrou que, se o seu PSA for abaixo de 1,0, o risco de ter câncer prostático nos próximos 20 anos é muito baixo.

A próstata auxilia no armazenamento e ejaculação do sêmen durante o orgasmo. Portanto, para o homem com idade avançada e sem interesse reprodutivo, ela tem importância reduzida e poderia ser retirada.

Porém, à sua volta estão os nervos erigentes, que promovem a ereção peniana, os quais, na retirada cirúrgica da glândula, podem ser lesados, causando impotência e, às vezes, ejaculação retrógrada (o esperma, em vez de sair pelo pênis, vai para a bexiga, causando desconforto ). Incontinência urinária também pode ocorrer.

Quando a ressecção da próstata é inevitável, a cirurgia robótica, na qual o cirurgião opera através das mãos mais precisas de um robô, é a preferida. Com isso, reduz-se o risco de impotência, a mais temida das complicações.

A cirurgia por robô, apesar de mais cara, é mais rápida e eficaz: 85% dos pacientes podem ter alta no dia seguinte e, nas mãos de um cirurgião experiente, há uma redução de 30% no número de pacientes que precisam de outra terapia para se curar.

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