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Número 883,

Cultura

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Museu do Amanhã: o futuro é um barato

por Redação — publicado 17/01/2016 08h02
A estrutura criada por Calatrava para a Praça Mauá coroa o sonho olímpico do Rio
Tomaz Silva/ABr
Museu-do-Amanhã

Área interna do Museu do Amanhã

A irreverência carioca apelidou o objeto de “O Baratão” – com a ambiguidade que celebra sua monumentalidade entusiasmante tanto quanto lembra, no superlativo, a anatomia daqueles repugnantes insetos que Clarice Lispector consagrou, digamos assim, em momento mórbido de sua literatura.  

O espírito de corpo de certos arquitetos nativos havia antecipado como seria a recepção do Rio ao arrojado projeto do espanhol Santiago Calatrava para a renovada Praça Mauá, ampla esplanada que se abriu após a derrubada da Perimetral – o Minhocão em versão carioca que escondia o cais do porto e os armazéns à moda do Puerto Madero de Buenos Aires.

No entanto, inaugurada pouco antes do Natal, a vertiginosa estrutura metálica, como uma astronave que sobrevoa o vazio, caiu no gosto do público e dissolveu a intransigência dos críticos, ainda que a arquitetura de Calatrava dê a impressão – e é o caso deste Museu do Amanhã – de se repetir permanentemente.

Esplanada
O museu na esplanada que substitui um horror (Wilton Junior/Estadão Conteúdo)

O “Baratão” chega a tempo de, incorporado a um conjunto que já trazia o Museu de Arte do Rio (MAR), projeto de Bernardes & Jacobsen aberto em 2013, e a imponência decô do edifício do jornal A Noite, à espera de um providencial restauro, encantar os turistas do Rio olímpico com um legado urbanístico que vá além da arquitetura calipígia das girls from Ipanema.

*Publicado originalmente na edição 883 de CartaCapital, com o título "O futuro é um barato"

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