Você está aqui: Página Inicial / Revista / Rir para não chorar / Time novo na área
Número 882,

Sociedade

Opinião

Time novo na área

por Afonsinho publicado 09/01/2016 20h59
O FBI Futebol Clube entrou em campo na Suíça. A mudança está rolando
Cristina Índio/Agência Brasil
Protesto-contra-CBF

Sociedade quer cartão vermelho para o jogo de interesses prejudicial ao futebol brasileiro

Começam a chegar os presentes do Papai Noel para os torcedores, um Picachu aqui, um Marlone acolá. Torcemos pelo novo corintiano que vai construindo sua estrada com a garra nordestina e pelo paraense que se destacou no Paysandu. Mais um que traz o Norte do Brasil ao centro das atenções.

A temporada do futebol, em campo, empurrou o Vasco de novo para a Segundona. A queda eventual de um clube da grandeza do Gigante da Colina pode se entender como acidente, excepcionalmente. Mas a contumácia dá a medida da situação do futebol brasileiro nestes dias.

O clube da Cruz de Malta está inscrito na história. Seu estádio, o maior particular até o advento do Maracanã, foi palco de eventos políticos importantes, sem contar seu pioneirismo social.

A companhia do Santa Cruz, felizmente de volta, Bahia, Botafogo, só para citar alguns que puxam a fila a se estender até o clube mais modesto do nosso futebol, dá a medida do caos instalado. Ainda a ressaca da Copa-14 – vem de longe a queda dessa cascata.

As contratações durante o ano são mais um fator a atestar o atordoamento da situação. O Flamengo ousou ao contratar o Guerrero, causando estranheza ainda que sendo, no clube, em ano eleitoral.

O excelente peruano acabou sendo contestado, para se ver a que ponto chegamos. Outros times repatriando jogadores que pelo menos ganham um fôlego em sua retirada.

Menos mal que tudo ruiu de cima a baixo, com a intervenção na sede da Fifa na Suíça – e vem desmoronando ponto por ponto. O risco é esse deixar o tempo passar, e de que outros descalabros que não faltam neste momento “Terra em Transe” enfumacem nossas vistas.

A boa notícia que serve de trombeta a anunciar o começo do novo ano vem da mobilização iniciada pelo Bom Senso a capitanear num protesto às portas da CBF – e a participação de toda a sociedade brasileira e até internacional, em tempos de globalização. Interessa a todos que gostam de esporte em geral e do futebol, independente de sua vinculação profissional.

A iniciativa nasce com o mérito grandioso de expulsar a incômoda sensação de vergonha de pertencer a um mundo que representa um valor incalculável da sociedade brasileira, mas que vem sendo espezinhado de forma humilhante, sem nenhuma resistência.

Meu imenso alívio vem de sempre ter expressado minha confiança na história rica de luta, na saga espinhosa dos brasileiros pela libertação. Temos nossa característica forma de resolver os problemas, mas encontramos nossas melhores soluções.

Não há força capaz de submeter um país inteiro por muito tempo quando abusam de valores que lhe são caros, como sua arte e seu esporte. Demora mas vem.

O próximo passo deve ser engrossar cada vez mais o bloco pela reformulação profunda do futebol brasileiro e, por consequência, outras estruturas caducas.

Às portas da CBF, na manifestação de dias atrás, o repórter questionou-me se não parecia estranho não haver dirigentes de clubes no protesto. Vejo como ponto crucial a valorização dos clubes, hoje em sua imensa maioria mero balcão de negócios nas mãos de intermediários sem interesse na atividade, apenas no que ela rende em termos financeiros.

Pude também perguntar aos presentes sobre os torcedores e conversar com alguns deles firmes na sua participação. 

Há um mundo de interesses em torno de um espetáculo esportivo e a ninguém interessa esse modelo engessado, congelado, ultrapassado. Os próprios beneficiários dessa situação não conseguem manter tamanho anacronismo, usam propostas tímidas de alterações no seu funcionamento para irem mantendo-se num desequilíbrio insustentável.

Caem de podres. Os “cartolas” de todo o mundo são malandros, vão arrastando a carroça até onde der para chegar, raspando os cofres. Confrontados lavam as mãos e vão adiante. Surpresa quem tem feito é o FBI, time novo na praça.

Meu presente de Natal já ganhei com a boa-nova de saber que o Michael, jogador do Fluminense, não vai mais encerrar sua carreira indo jogar fora do Brasil, dar um tempo.

Mais que isso, precisa de boa orientação fora do campo, não apenas alguém interessado em conseguir o maior volume de dinheiro. Não sei se é o caso, mas é o da maioria dos jovens que procuram enveredar pelo caminho sedutor da vida de jogador de futebol profissional.

A julgar pela maneira como termina 2015, o ano que vem vai ter de convocar o craque Esperança.

registrado em: , ,