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Número 882,

Cultura

Música

Não há fogo brando no caldeirão de Karina Buhr

por Tárik de Souza — publicado 09/01/2016 00h02
O feminino em primeiro plano reforça o lirismo do terceiro disco da cantora
Otávio Dias
Karina Buhr

A postura de guerreira estampada na capa escorre pelas letras

Ex-integrante do grupo Comadre Fulozinha, com passagem pelo teatro, em Bacantes, de Zé Celso Martinez Corrêa, Karina Buhr dilatou sua atuação artística ao lançar, em abril, o livro de poemas Desperdiçando Rima (Rocco).

Selvática (Karina Buhr, ybmusic), seu terceiro disco-solo, dialoga com as novas veredas abertas em sua estética eriçada, como indica a faixa-título.

Durante quase seis minutos, sob guitarras cortantes e batidas aceleradas, confluem elementos teatrais e poéticos de inspiração bíblica (O eclipse perdurará/ acharás palha no agulheiro/ e transmutarás! Perfurarás o mal seu e o alheio) irrigados pelas intervenções da cantora, em contracena dramatizada com a compositora Denise Assumpção e a apresentadora Elke Maravilha.

A postura guerreira, estampada na nudez parcial da capa e no desenho do encarte, de sua autoria, reflete-se na maioria das letras aguçadas.

Do melífluo reggae inicial, Dragão (Enfrentar leões/ passar por cima de uma coisa/ que tá no lugar de outra), à balada de calço recorrente Eu Sou um Monstro (Mulher, tua apatia me mata/ não queira de graça/ o que nem você dá para você).

O feminino em primeiro plano ressignifica o lirismo de Desperdiço-te-me (Vi que a sala estava escura/ que brilhava a pele dura/ de paixão), afia as garras na litania de Vela e Navalha e na vertigem de Esôfago (Esse carinho morno/ que me dás de repente/ vai te doer um mundo).  No caldeirão de Selvática não há fogo brando.

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