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Número 879,

Economia

PIB

PIB: o buraco é mais embaixo

por Redação — publicado 04/12/2015 18h05, última modificação 05/12/2015 09h30
A recessão no Brasil se agrava, mas o governo parece ignorar as consequências
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A indústria de transformação arrastou a economia para baixo

Divulgada pelo IBGE na terça-feira 1º, a queda de 1,7% do Produto Interno Bruto no terceiro trimestre em relação ao mesmo período anterior é a evidência mais recente do efeito letal de se acrescentar a uma economia estagnada um ajuste fiscal com redução severa do investimento público e manter a taxa de juros mais alta do mundo.

A indústria de transformação arrastou a economia para baixo, mostram os declínios de 7,3%, 8,1% e 11,3% no setor, sucessivamente nos três primeiros trimestres deste ano comparados a iguais períodos de 2014, superiores às quedas de 2%, 3% e 4,5% do PIB total.

Construção civil, comércio e transporte recuaram 6,3%, 9,9% e 7,7% no terceiro trimestre, diante do desempenho dos primeiros três meses do ano passado. 

A Formação Bruta de Capital Fixo declinou 15%, depois das variações negativas de 10,1% e 12,9% nos dois primeiros trimestres deste ano, e arrastou a taxa de investimento do País para 18,1%, uma demonstração do papel decisivo da retração das inversões no encolhimento da economia

A Operação Lava Jato contribuiu com 2,5 pontos porcentuais negativos no PIB do ano, calcularam algumas consultorias. O Brasil caminha para uma retração de 4%, em 2015, e quase 6% nos últimos dois anos. Em uma lista de 42 economias, o País é o antepenúltimo em performance econômica.

Empenhado em cortar gastos, o Ministério da Fazenda declarou que o ajuste fiscal é indispensável para reverter a recessão.

Em maio, o ministro Joaquim Levy disse e os jornais publicaram: “O governo cortou com muita cautela, com muito equilíbrio, na medida em que se poderia fazer, inclusive sem pôr o menor risco em relação ao crescimento econômico”. Vê-se.