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Número 876,

Sociedade

Greve

O locaute de caminhoneiros perde-se ao pregar “Fora, Dilma”

por Redação — publicado 13/11/2015 16h53
Entidades representativas dos caminhoneiros manifestaram que consideram imoral qualquer mobilização que se utilize da boa-fé dos autônomos
Miguel Schincariol/AFP
Caminhoneiros-em-greve

O movimento "independente" foi criticado pela categoria

O governo federal aumentou o valor da multa aplicada a quem obstruir estradas de forma deliberada. O infrator terá de pagar 5.746 reais, além de ficar impedido de tomar crédito em bancos públicos para a compra de novos veículos.

Para os organizadores de protestos dessa natureza, a punição é ainda mais severa: multa de 19.154 reais. A Medida Provisória foi anunciada na terça-feira 10, um dia após caminhoneiros autônomos bloquearem rodovias de 14 estados do País.

Antes mesmo do anúncio da medida, o movimento havia perdido força. Organizados pelo Comando Nacional do Transporte, que se diz independente de sindicatos, os manifestantes reivindicavam a redução do preço do combustível, a oferta de crédito subsidiado para a renovação da frota e uma remuneração nacional unificada.

Ao incluir na pauta a renúncia de Dilma Rousseff, os líderes da entidade conquistaram a simpatia de grupos pró-impeachment, entre eles o MBL e o Revoltados Online, mas acabaram por rachar a categoria.

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Caminhoneiros protestam na BR 040, em Goiás | Marcelo Camargo/Agência Brasil

Diversas entidades representativas dos caminhoneiros manifestaram repúdio à manobra. “Consideramos imoral qualquer mobilização que se utilize da boa-fé dos caminhoneiros autônomos para promover o caos no País e pressionar o governo em prol de interesses políticos ou particulares”, afirmou a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, na segunda-feira 9.

Após a edição da Medida Provisória, a CNTA voltou a criticar o grupo: “A irresponsabilidade em deflagrar um bloqueio nas estradas, usando os caminhoneiros por motivo unicamente político, resultou na perda de um espaço legítimo de reivindicação”.