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Número 872,

Cultura

Papinho Gourmet

Bombou no Face

por Márcio Alemão publicado 23/10/2015 17h46, última modificação 25/10/2015 00h17
O Mentor Muniz é celebridade nas redes sociais
iStockphoto

- Já leu o livro do Mentor Muniz Neto?

– Quem é esse cara?

– Um amigo.

– Ainda tenho muitos clássicos pra ler. Não vou perder tempo com livro de amigo.

– Você não vai perder tempo. O livro é divertido.

– Eu não leio pra me distrair. Os ignorantes gostam de ler para se divertir, gostam de ouvir música para se divertir; ir ao cinema só para dar risada.

– Prazeres Diários é o nome do livro. O Mentor é uma celebridade nas redes sociais.

– Era só o que me faltava. Perder tempo com um folhetim de um ilustre membro das redes sociais.

– Tá fazendo um enorme sucesso.

– Paulo Coelho também faz. 

– Inclusive, em um dos relatos...

– Relatos? É autobiográfico ainda por cima?

– Você iria gostar do jeito que o Mentor observa os acontecimentos da vida. Só pra te dar um exemplo, em um certo momento ele fala sobre os chatos de restaurante.

– Chatos de restaurante, de fato, existem.

– Fala sobre o enochato que a gente conhece bem; o fungador de copo. Ele sai descrevendo o cara e diz numa passagem: “Essa uva foi descoberta na região da Borgonha logo após a Revolução Vienense de 1715. Dizem que um cabo do Exército turco tropeçou numa raiz e...”

– É boa a definição. E ninguém constesta.

– O chato do prato é aquele que pergunta tudo: como é o filé à milanesa de vocês? Alguém sugere massa e o camarada se coça, fica aflito, diz que comeu massa anteontem e decide chamar o garçom e pedir explicações sobre o filé de cordeiro à Souto Maior.

– E, enquanto isso, todo mundo esperando.

– E o garçom, um chefe frustrado, anima-se com a oportunidade e começa a descrever o prato desde o nascimento do cordeirinho, o tipo de pasto que ele frequentava, os amigos dele, as relações.

– Já cruzei com alguns desses.

– E já deve ter cruzado com o chato da conta, também. O que não sai de casa sem a sua HP. Pega a conta, coloca os óculos e, enquanto faz cálculos, vai perguntando: “Quem pediu suco de aruá com couve?” A maratonista diz que foi ela e ele quer a precisão da informação: “Pediu três?”  E no final ele descobre que rolou uma diferença de 10 reais em uma conta de 2 mil. “Impressionante o que somos roubados por não conferir a conta.” 

– Também por essa já passei.

– Então renda-se aos raros bons frutos das redes sociais.