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Número 871,

Internacional

Vaticano

O amor católico de Charamsa

por Redação — publicado 12/10/2015 05h44
O teólogo polonês revela sua homossexualidade às vésperas do Sínodo
Tiziana Fabi/AFP
Krzysztof-Charamsa

O religioso, ao lado do parceiro, criticou a Igreja

Faltavam poucas horas para a inauguração do controvertido Sínodo sobre a Família, que se estenderá até 25 de outubro, quando uma notícia bombástica perturbou profundamente a aparente serenidade dos palácios vaticanos e espalhou-se mundo afora com toda a sua carga provocatória.

O monsenhor Krzysztof Charamsa, 43 anos, professor de Teologia em vários ateneus religiosos e um dos mais elevados integrantes da Congregação pela Doutrina da Fé, revelou em várias entrevistas ser homossexual e amar um homem.

Decidiu reafirmar publicamente sua identidade de “sacerdote homossexual, feliz e orgulhoso” para chamar a atenção do papa sobre a “homofobia imperante na Igreja Católica. (...) Chegou a hora de a Igreja abrir os olhos diante dos fiéis gays e entender que a solução que propõe para eles, a abstinência total da vida amorosa, é desumana”.  

A escolha de pronunciar-se na véspera do Sínodo teve evidentemente a intenção de causar repercussão midiática e concentrar o debate dos próximos dias na questão da homossexualidade.

Tentativa de condicionamento “externo” muito mal recebida pelos vértices vaticanos, que imediatamente a recusaram, convidando ao mesmo tempo o monsenhor polonês a deixar o cargo no Vaticano, onde atuou nos últimos 17 anos.

O papa não fez nenhum comentário específico, mas na homilia da missa de sábado reiterou sua postura de abertura em termos gerais: “Uma Igreja com as portas fechadas trai a si mesma e sua missão. Em lugar de ponte vira uma barreira”.

O conjunto da Igreja Católica está disposto a segui-lo? Até que ponto? As respostas, muito problemáticas, chegarão nas próximas semanas.

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