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Número 870,

Política

Partidos

A Rede de Marina cresce e aparece

por Redação — publicado 07/10/2015 03h01
Marina atrai o petista Alessandro Molon, o senador Randolfe Rodrigues e Heloísa Helena para o seu partido
Geraldo Magela/Agência Senado

Menos de uma semana após ter o registro de seu partido aceito pelo Tribunal Superior Eleitoral, Marina Silva colheu na Rede os primeiros peixes graúdos. O deputado Alessandro Molon trocou o PT pela nova legenda, enquanto o senador Randolfe Rodrigues desfalcou o PSOL.

Molon foi o petista mais votado nas eleições proporcionais no Rio de Janeiro em 2014 e é candidatíssimo à prefeitura da capital fluminense no próximo ano. Seu empenho na aprovação do Marco Civil da Internet foi exemplar. Rodrigues era o único senador do PSOL, mas há tempos se desentendia com a cúpula da agremiação.

No ano passado, chegou a ser anunciado como presidenciável do partido. Desistiu da candidatura e acabou substituído por Luciana Genro. “Aposto que a Rede será a grande novidade política do País nos próximos anos”, afirmou o senador ao assinar a ficha de filiação. Heloísa Helena, candidata à Presidência pelo PSOL em 2006, também caiu na Rede.

Com isso, a Rede fez sua estreia no cenário político com cinco deputados federais e um senador, além da promessa de ser um partido de oposição moderada ou, nas palavras de Marina, ser uma "nova forma de fazer política".

O descontentamento de ex-governistas com as recentes escolhas políticas e econômicas do governo Dilma explicam porquê quatro dos cinco deputados da Rede vieram da base governista: Alessandro Molon (RJ), ex-vice líder do PT na Câmara; Miro Teixeira (RJ), ex-PROS, e dois egressos do PC do B, João Derly (RS) e Aliel Machado (PR).

Apesar de a estreia do partido ter conturbado o mundo político, Marina Silva deixou claro que não privilegia quantidade: "A Rede buscará qualidade". É por isso que o partido já vem distribuindo negativas para alguns políticos. 

Este é o caso do ex-deputado-federal Wálter Correia de Brito Neto, que foi rejeitado pela executiva do partido devido a seu apoio ao Estatuto da Família, projeto de lei que prevê a definição de família como sendo unicamente formada pela união entre homem e mulher. Exemplos como o de Wálter Neto dão pistas da linha política que a Rede pode assumir, embora sua atuação ainda seja uma incógnita para todos. 

Até o momento, a defesa por uma "nova forma de fazer política" vem ganhando adeptos entre políticos e eleitores. No entanto, a pouca verba de fundo partidário e o pouco tempo de TV reservados ao partido são, por ora, o maior desafio a ser contornado por Marina Silva para as eleições de 2016.