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Número 869,

Cultura

Artes Visuais

São Paulo vê Frida Kahlo e as artistas do inconsciente

por Rosane Pavam publicado 06/10/2015 03h19
Exposição no Tomie Ohtake traz 20 telas da mexicana e as contextualiza com obras de Leonora Carrington, Remedios Varo, e María Izquierdo
Banco de México Diego Rivera & Frida Kahlo Museums Trust
El-Abrazo-de-Amor-del-Universo

El abrazo de amor del Universo, la Tierra, México, Diego, yo y el señor Xólotl, 1949. Das muitas Fridas expressas em 143 telas, 20 estão reunidas na exposição

Nascida em Coyoacán em 1907 e morta, aos 47 anos, naquela cidade mexicana, Frida Kahlo exerceu a transformação da imagem como um mandamento, este que às vezes parece reger a vida contemporânea.

Em meio à doença que limitou sua locomoção, a artista ousou expressar o inconsciente pela pintura, contrariando a norma decorativa feminina dos motivos florais. Houve muitas Fridas, diferentes ao pensar, falar ou vestir-se, como diz a curadora desta exposição, Teresa Arcq, embora a unanimidade póstuma em torno de sua personalidade queira ditar o interesse exclusivo pela artista em sofrimento físico, mulher do grande pintor Diego Rivera e impossibilitada de ser mãe.

“Ninguém parece ver na camaleônica Frida aquela que advogava, para sua pintura, o gênero da ‘natureza viva’”, como diz Arcq, historiadora mexicana de seus arquivos inéditos. Ela aponta inúmeras vezes a sexualidade, as cores e o humor no trabalho da artista.

Foram apenas 143 telas em sua vida breve, das quais 20 estão reunidas nesta exposição, ao lado de 13 obras em papel. As réplicas de vestidos e célebres acessórios de seu vestuário, que não são muitas, bailam entre as obras de sofisticadas artistas daquele tempo, imersas em um clima mexicano, surreal por si, de celebração da vida e da morte.

Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas no México (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo. Até 10 de janeiro) amplia o contexto de seus autorretratos e explora as situações pintadas por Leonora Carrington, Remedios Varo, Rosa Rolanda ou María Izquierdo. Carrington, por exemplo, intensifica o sonho e evita saturar as cores, diluindo-as em luzes românticas, como aquelas avermelhadas do século XVIII inglês.

Em Varo ou Izquierdo, ampliado o horizonte dos mitos indígenas e orientais, é possível evocar Brueghel ou Bosch. Rolanda ilustra as lágrimas, assim como Lola Álvarez Bravo fotografa, sóbria, os estados emocionais. É uma exposição que vale largamente além de Frida, embora as escolas de São Paulo, talvez apenas por se tratar dela, tenham esgotado as possibilidades de visita à exposição em grupos pedagógicos até janeiro de 2016.