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Número 868,

Economia

Sociedade

Quem teme os veículos autônomos?

por Felipe Marra Mendonça publicado 25/09/2015 06h24
A possibilidade de maior controle policial sobre os carros que não precisam de motorista tende a desestimular a tecnologia
Reprodução
Google car

O carro autônomo do Google

O site techdirt acaba de publicar um estudo interessante sobre o que pode acontecer no futuro na relação entre agentes da lei e veículos totalmente autônomos como os planejados pelo Google para o mercado norte-americano. O que torna o estudo interessante é o fato de ser financiado pelo National Institute of Justice, o braço de pesquisa e desenvolvimento do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Os redatores do documento parecem muito interessados em encontrar situações hipotéticas para justificar um dispositivo que possibilite a policiais assumir o controle desses veículos. Algumas são banais, outras dignas das melhores distopias. Uma delas descreve um momento de algum perigo em um cruzamento.

“O policial Rodriguez, no controle do tráfego, conseguiu ver o veículo em sua direção e o ocupante de olho no seu smartphone. Fez um gesto para o carro parar e o veículo autônomo estacionou próximo à faixa de pedestres.”

Além de sugerir que policiais deveriam ter o controle imediato sobre qualquer veículo nas imediações, o texto ignora o fato de os veículos autônomos possuírem sensores perfeitamente capazes de evitar uma situação de perigo como essa, sem necessidade de qualquer intervenção externa.

Mais adiante, a imaginação dos autores alça voos mais altos. “Pense em um policial interagindo com um veículo com sensores conectados à internet. Com os mandados judiciais apropriados, ele poderia pedir para o veículo identificar os seus ocupantes ou destinos recentes.

Ou, se o veículo estivesse desocupado, mas capaz de movimento autônomo e em lugar impróprio (por exemplo, estacionado em local proibido ou próximo a veículos de emergência), o agente poderia enviar um comando para o veículo se afastar imediatamente.” O potencial para o abuso de autoridade parece bastante claro na possibilidade de obtenção imediata de detalhes hoje inacessíveis em veículos “normais”.

Tudo isso pode levar à escolha entre um carro “normal” e outro autônomo para o campo da privacidade e dos direitos civis, algo bem curioso em uma área normalmente dominada por discussões sobre potência, espaço interno ou conforto. 

*Reportagem publicada originalmente na edição 868 de CartaCapital, com o título "Rodas para o alto"

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