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Número 868,

Cultura

Livro

A natureza dos vínculos

por Redação — publicado 25/09/2015 15h24, última modificação 26/09/2015 08h49
O filósofo Vladimir Safatle discute o papel central de sentimentos como o medo na construção política
Costa/ Leemage/ AFP
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Spinoza (esq.) e Hobbes, luminares da abordagem filosófica em torno do impulso dos afetos.

A sociedade é mais que um sistema organizado de leis e regras. Ela envolve uma dinâmica de circulação de afetos responsáveis por operar transformações. A partir desse conceito, o filósofo Vladimir Safatle, professor da Universidade de São Paulo e colunista de CartaCapital, desenvolve os ensaios que compõem seu mais novo livro, O Circuito dos Afetos – Corpos Políticos, Desamparo e o Fim do Indivíduo (Vladimir Safatle. Cosacnaiky, 512 págs., 59,90 reais).

O autor de A Esquerda Que Não Teme Dizer seu Nome (2012) e Grande Hotel Abismo (2012), entre outros, busca recuperar a tradição que vem dos filósofos Baruch Spinoza e Thomas Hobbes, que se debruçaram sobre a questão, considerada essencial para a compreensão da natureza dos vínculos tanto sociais quanto políticos.

Cinco linhas de força constituem o livro, escreve Safatle, algumas mais desenvolvidas, outras ainda latentes. “A primeira delas diz respeito à tentativa de desenvolver de forma mais sistemática a articulação entre afetos e corpo político. Uma articulação enunciada pela filosofia política moderna ao menos desde Hobbes. Pois seria difícil não partir de sua afirmação canônica: ‘De todas as paixões, a que menos faz os homens tender a violar as leis é o medo. Mais: excetuando algumas naturezas generosas, é a única coisa que leva os homens a respeitá-las’.” 

De acordo com o autor, a partir dessa perspectiva, compreender sociedades como circuitos de afetos implicaria partir dos modos de gestão social do medo, de sua produção e circulação enquanto estratégia fundamental de aquiescência à norma. “Pois, se, de todas as paixões, a que sustenta mais eficazmente o respeito às leis é o medo, então deveríamos começar por nos perguntar como ele é produzido, como ele é continuamente mobilizado.”