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Número 863,

Cultura

O grande encontro

por Ana Ferraz publicado 22/08/2015 10h08
Mário de Andrade, Lasar Segall e Candido Portinari, uma epopeia crítica
Reprodução
Mário de Andrade

Mário de Andrade retratado por Segall (1927) e Portinari (1935) e

Em seu projeto para a cultura brasileira, Mário de Andrade buscava um pintor que se encaixasse no ideário de herói maior de uma epopeia crítica. O primeiro a ocupar esse lugar foi Lasar Segall, europeu que chega na década de 1920 na condição de criador completo. “Para Mário, foi uma realização ver que podíamos contar com um artista renomado que contribuía para a melhora da arte no País”, afirma Ana Paola Baptista, curadora da exposição Mário de Andrade e Seus Dois Pintores – Lasar Segall e Candido Portinari, que reabre o Museu Lasar Segall, fechado por cerca de um ano para reformas.

O encantamento por Segall começa a esmaecer quando Mário descobre Candido Portinari no Salão de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 1931. Se até então o pintor, desenhista, gravurista e escultor lituano era quem “melhor cristalizava o ideal de artista proposto por Mário, subitamente Portinari passava a rivalizar com ele para a consecução do projeto de criação de uma arte genuinamente nacional”. O retrato que Portinari pinta de Mário os aproxima ainda mais. 

Em nenhum momento Mário de Andrade faz uma crítica comparativa entre os dois. “Ele nunca declara voto por um ou outro, mas na intimidade das cartas mostra estar mais perto de Portinari.” No início da década de 1940, quando o mundo vive uma conjuntura pesada, no Brasil o Estado Novo de Getúlio Vargas e na Europa a Segunda Guerra, o escritor revê sua participação no projeto modernista e torna-se mais crítico ao avaliar artistas, Segall e Portinari incluídos.

Na exposição estão 50 telas, 25 de cada pintor. “Selecionei aquelas sobre as quais Mário fez  algum comentário. É uma forma de trazê-lo para perto no ano em que se completam sete décadas de sua morte.” Entre as pinturas, Bananal, de Portinari, e Pogrom, de Segall, “um quadro maiúsculo em todos os sentidos”. E os dois retratos de Mário pintados pelos dois amigos. “O de Segall ele considerava que revelava um lado demoníaco, enquanto o de Portinari, um lado angelical. Gostava mais do feito pelo brasileiro.