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Número 859,

Sociedade

Pan-Americano de Toronto

Incontinência esportiva

por Redação — publicado 18/07/2015 03h35
O que explica a controversa homenagem dos atletas às Forças Armadas?
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É inegável o conteúdo político de se fazer uma saudação militar no pódio

As Forças Armadas sempre desempenharam papel importante na formação de atletas ao redor do mundo. Campeões norte-americanos, alemães, italianos e brasileiros foram e continuam a ser forjados em quartéis. Não havia, porém, registro de esportistas obrigados a agradecer em público esse apoio militar. Até agora.

De forma constrangedora e démodé, com o mofo da Guerra Fria, medalhistas nativos receberam a “recomendação” de bater continência nos pódios do Pan-Americano de Toronto.

As cenas repetem-se e dão a impressão de que o Brasil vive uma ditadura ou uma espécie não identificável de regime militar. O gesto se une a certo vira-latismo da delegação nacional, cujos atletas, em boa medida, fazem questão de comemorar de forma excessiva as conquistas, como se historicamente não figurássemos entre as quatro principais forças do continente.

É impossível deixar de notar a conotação política da “homenagem”. Por que neste Pan, se há tempos esportistas brasileiros são formados nas fileiras das Forças Armadas? O que explica essa súbita demonstração de fidelidade aos princípios militares?

Na delegação, 123 dos 600 competidores integram o Exército, a Marinha ou a Aeronáutica. O grupo faz parte do Programa de Atletas de Alto Rendimento, parceria firmada entre os ministérios da Defesa e do Esporte em 2010. Ou seja, as conquistas em quadras, tatames e piscinas não se devem à generosidade dos oficiais. Foram bancadas com impostos dos civis.