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Número 858,

Política

Rosa dos Ventos

O timoneiro do golpe

por Mauricio Dias publicado 11/07/2015 08h56
A memória nacional não esquecerá a pregação conspiratória de FHC, repetida pela oposição e aplaudida pela mídia dita isenta e imparcial
Orlando brito e André Dusek/Estadão Conteúdo
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A primeira lenha atirada no fogaréu já existente está no discurso paroleiro de Fernando Henrique Cardoso, o timoneiro do golpe: “O governo Dilma perdeu a credibilidade”

Da convenção do PSDB, realizada em 5 de julho em Brasília, saiu a palavra de ordem de orientação aos partidos oposicionistas, com a finalidade de abalar ainda mais a situação política e econômica do País: botar lenha na fogueira e criar um clima de crise insuperável para forçar o impeachment da presidenta Dilma.

Assim o golpe foi anunciado. Mas será consumado? A primeira lenha atirada no fogaréu já existente está no discurso paroleiro de Fernando Henrique Cardoso, o timoneiro do golpe. Com as mãos no leme o ex-presidente sentenciou: “O governo Dilma perdeu a credibilidade”.

Desqualificar a capacidade da presidenta de governar é um achado malévolo  premeditado pelo ex-presidente. Nessa desqualificação está embutido o preconceito da suposta fragilidade da mulher para exercer o poder. É o impulso machista movendo interesses políticos sombrios. Que no futuro ele não repita, como fez no passado, o pedido para ser esquecido pelo que faz no presente.

A oposição pode ser dura. Não pode ser irresponsável. Mas foram irresponsáveis os discursos radicais dos tucanos. Disparados na convenção do partido, deduzem que Dilma não vai concluir o mandato conquistado democraticamente nas urnas. Será derrubada antes.

Esse pessoal tem mais ousadia do que coragem. Entre a teoria e a prática há um abismo.

Embora todos os golpes se pareçam, há sempre, entre eles, um diferencial. O de agora é expressivo. Para o pesar dos oposicionistas não há tropas à disposição. A crise está circunscrita ao golpe, sem tropas nas ruas. Assim, só restou à oposição cuspir fogo.

Aécio Neves avançou contra o governo com a violência de noviço excitado. Ele chegou, por exemplo, a antecipar o triunfo da conspiração  em marcha. Falou, sem marcar data, que o desfecho ocorrerá “talvez mais breve do que alguns imaginam”. Na sequência, cometeu um erro marcante ao dizer que perdeu as eleições “para uma organização criminosa”. Dessa forma, desqualificou o voto do eleitor contrário a ele.

Para o impetuoso mineiro, “o grupo político que está aí caminha a passos largos para a interrupção” do mandato de Dilma. Ele, por fim, tropeçou e caiu no buraco. Tomado pelo delírio, deixou escapar a frustração que carrega no peito após a derrota eleitoral. Em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, autonomeou-se “reeleito para a Presidência da República”. Ele queria fazer referência à recente convenção tucana que o reconduziu à presidência do PSDB.

Também obcecado, o ex-presidente FHC antecipou-se e carimbou o destino do objetivo: “Estamos prontos para assumir”. 

Como os tucanos esperam para voltar ao poder poucos meses após a derrota pelo caminho democrático? Com o golpe. Dilma cai e eles assumem. Parte desse claro enigma está no artigo publicado pelo timoneiro do golpe, em O Globo: “... Espera-se que (as oposições) reiterem não ter o propósito antidemocrático de derrubar governos, mas tampouco o temor de cumprir deveres constitucionais, se os fatos e a lei assim o impuserem”. Adaptado aos fatos políticos, o trecho de conhecida poesia de Vinicius de Moraes seria declamada assim: ele espera fingindo, fingindo que não espera.

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