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Número 854,

Cultura

Babilônia

São Paulo fica no Brasil?

por Nirlando Beirão publicado 20/06/2015 06h19
Aposto que José Maria Marin será ovacionado se aparecer naqueles restaurantes que vaiam petistas
Sidney Oliveira/ Ag. Pará

"Paulista é esquisito”, desabafou Gilberto Braga, o Martin Scorsese da teledramaturgia brasileira. Paulista, diz ele, adora o Jamanta – aquele personagem limítrofe que Silvio de Abreu criou em Torre de Babel (de 1999) e repisou em Belíssima (de 2005). “Fora de São Paulo ninguém suporta (o Jamanta), mas lá é um sucesso.”

O autor de Babilônia queixa-se dos baixos índices de audiência da novela das 9, embora alivie com a constatação de que todo o Brasil é que encaretou. De todo modo, os brios quatrocentões imediatamente se exaltaram, argumentando que não é só em São Paulo que duas senhoras maduras e bem-postas não têm o direito de se amar (Gilberto Braga desistiu de fazer de Marcos Pasquim um personagem gay a pedido de dondocas paulistanas) .

São Paulo não explica Babilônia, mas Babilônia expõe muito do espírito retrógrado, oligárquico, racista, preconceituoso da São Paulo dos Jamantas. Talvez console a Gilberto Braga saber que Regina Casé paga, em São Paulo, com uma audiência abaixo da média, o preço da negritude que exala do seu Esquenta, com aquela efusão de samba feliz e suarento.

Dias atrás, Roberto Jefferson anunciou que, tão logo recupere seus direitos políticos, vai mudar o domicílio eleitoral para São Paulo. Faz sentido. O eleitorado de São Paulo tem uma paixão obcena por pilantras de variegadas procedências, desde que tragam no seu blá-blá-blá o ódio ao PT. Onde viceja um Roberto Freire  um delator fará um furor.