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Número 854,

Cultura

Virada Cultural

Alaíde Costa: a hora das damas na Virada Cultural

por Ana Ferraz publicado 19/06/2015 03h37
No Theatro Municipal, ela apresenta repertório completo do disco 'Coração'; palco República homenageia Inezita Barroso
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No show de Alaíde Costa, canções de Milton Nascimento e Johnny Alf gravadas em disco de 1975

Em 1975, Alaíde Costa gravou Coração, disco recheado de iguarias finas como a pungente Pai Grande, linda canção composta por Milton Nascimento em 1969 para o LP que leva seu nome. Entre os biscoitos finos de Coração estão ainda Quem Sou Eu, de um dos artistas favoritos de Alaíde, Johnny Alf, com quem sua alma firmou parceria em caráter vitalício, e Tomara (Novelli, Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós). “Nunca tive oportunidade de apresentar Coração completo num show”, diz a intérprete, que a convite da Virada Cultural realiza o desejo de desfiar inteiro o repertório do disco.

Alaíde, que há muito chegou ao estágio de cantar apenas o que seu coração manda, experimentou os palcos da Virada ao lado de Luciana Melo e Jair Rodrigues. “Foi no Vale do Anhangabaú, não lembro quando. Fiz também Alaíde Canta Tom Jobim, num CEU de Cidade Tiradentes, dentro de uma comunidade. Agora é no Theatro Municipal e acho que será bem diferente, com público mais interessado nesse tipo de música”, diz a cantora, que no ano passado lançou o CD autoral Canções de Alaíde

O palco República será transformado no Arraial da Inezita Barroso e receberá artistas que vão homenagear a cantora, compositora e pesquisadora morta em março, aos 90 anos de idade e 60 de vida dedicada à cultura popular. Quem abre as apresentações é a Orquestra Paulista de Viola Caipira, regida pelo maestro Rui Torneze. Os músicos participaram diversas vezes do programa Viola, Minha Viola, comandado por Inezita durante 35 anos na TV Cultura.

Em ambiente que emana a sala de visitas onde Inezita recebia convidados de rincões onde a música faz questão de se dizer caipira para não ser confundida com a sertaneja de hoje, em que figurino apertado e pobreza melódica costumam dar o tom, subirão ao palco duplas como os irmãos mineiros Zé Mulato e Cassiano e os paulistas Pedro Bento e Zé da Estrada. A homenagem a Inezita tem curadoria do produtor e roteirista de Viola, Minha Viola, Aloisio Milani.