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Número 851,

Saúde

Aneurisma da aorta abdominal

por Drauzio Varella publicado 31/05/2015 08h59, última modificação 10/06/2015 18h29
É traiçoeiro e oculta os sintomas. Na Inglaterra, o ultrassom preventivo é obrigatório para os idosos
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Aorta-abdominal

Segmento da aorta abdominal situado abaixo do diafragma

Esse tema interessa especialmente aos que chegaram aos 65 anos.

Os aneurismas da aorta abdominal são dilatações do segmento da aorta situado abaixo do diafragma e acima da bifurcação que a artéria sofre para formar as ilíacas, que vão nutrir os membros inferiores.

Na definição clássica, a dilatação deve ter mais de 50% do diâmetro da aorta. A maioria dos especialistas, no entanto, considera como aneurismas as dilatações acima de 3 centímetros.

A história natural é caracterizada por expansão progressiva, com grande variação individual: alguns permanecem estáveis durante anos, outros crescem rapidamente. São traiçoeiros. Costumam evoluir de forma assintomática ou provocar dor pouco característica até a ruptura, ocasião em que a letalidade vai de 85% a 90%. Daqueles que ainda chegam vivos no hospital apenas 50% a 70% sobrevivem.

Os fatores de risco dividem-se em dois grupos: não modificáveis (sexo masculino, história familiar e idade) e modificáveis (fumo, hipertensão arterial, colesterol elevado, obesidade, raça branca e doença aterosclerótica preexistente).

Fumo (sempre ele) é o principal fator de risco. A prática regular de exercícios e o consumo de vegetais, frutas e nozes têm efeito protetor. Diabetes também influencia. O ultrassom de abdome é o método ideal para o diagnóstico precoce, em virtude da alta sensibilidade (95%) e especificidade (100%). 

Infelizmente, poucos países adotaram políticas de screening para os grupos de risco. Na Inglaterra, a recomendação é de que todos os homens com 65 anos ou mais sejam submetidos ao ultrassom, pelo menos uma vez. Nos Estados Unidos, a indicação é de um exame entre 65 e 75 anos para todos os homens que um dia fumaram. Naqueles que nunca fumaram o exame é indicado quando existe história familiar ou outros fatores de risco (obesidade, hipertensão etc.).

Entre nós, o screening quase nunca é realizado, por desconhecimento dos médicos e dos pacientes.

As recomendações para o acompanhamento são as seguintes: 

1. Aneurismas de 3 a 3,4 centímetros de diâmetro: ultrassom a cada três anos.

2. De 3,5 a 4,4 centímetros: ultrassons anuais.

3. De 4,5 a 5,4 centímetros: ultrassons semestrais.

4. De 5,5 centímetros ou mais, nos homens: intervenção cirúrgica ou colocação de stent. Nas mulheres: a partir de 5 centímetros.

Não existem evidências de que o tratamento clínico traga benefícios. Nenhum medicamento testado foi capaz de reduzir a velocidade de progressão.

O objetivo da intervenção eletiva é impedir a ruptura. A dificuldade é de que pequenos aneurismas ocasionalmente rompem, enquanto outros bem maiores permanecem estáveis. Quando existe dor a reparação se torna mais urgente.

Ela consiste na colocação de próteses no local do aneurisma, por meio de abordagem cirúrgica (através de incisões na parede abdominal) ou através do cateterismo das artérias femorais e ilíacas.

Intervenções endovasculares estão associadas à morbidade e à mortalidade
perioperatória mais baixas, mas os dois métodos apresentam índices de mortalidade semelhantes depois de oito a dez anos.