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Número 849,

Saúde

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O ataque noturno à geladeira

por Rogério Tuma publicado 15/05/2015 04h32, última modificação 15/06/2015 18h00
Culpe o seu cérebro: à noite, ele tem mais dificuldade em chegar à saciedade. O que fazer diante de tanta tentação?
Estella Maris/CartaCapital
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A ciência atesta: os notívagos são mais vorazes

Cientistas da Universidade Brigham Young arrumaram uma boa desculpa para quem ataca a geladeira à noite: sob as estrelas, nosso cérebro não responde tão bem aos estímulos calóricos do doce como o faz durante o dia.

O estudo publicado na revista Brain Imaging and Behaviour analisou o metabolismo do cérebro de voluntários que observaram várias imagens de alimentos com altas ou baixas calorias, e descobriu que as ondas cerebrais são mais intensas quando um alimento muito calórico é observado durante o dia. À noite a mesma imagem não estimula tanto o cérebro.

O principal pesquisador Travis Materson acredita que como o cérebro não responde tão bem aos estímulos durante a noite, os comilões noturnos acabam comendo mais alimentos para atingir o nível de saciedade cerebral.

Aos voluntários foram apresentadas 300 fotos de alimentos hipocalóricos, como vegetais, peixes e grãos, e fotos de guloseimas, como balas, sorvetes e bolos. Como era de se esperar, as áreas ligadas ao prazer e recompensa e ligadas à fome e saciedade ficavam mais estimuladas quando os alimentos muito calóricos eram apresentados. Porém, os pesquisadores notaram que à noite as áreas de prazer e recompensa não ficavam tão ativas. O estudo dá aos comilões noturnos um álibi científico para quando forem flagrados se empanturrando de açúcar.

No entanto, se ao ser pego atacando a geladeira de noite você for condenado a emagrecer, outro estudo publicado na revista Diabetes Care pode ajudar você a escolher entre fazer exercício ou dieta para perder as calorias extras.

O doutor Edward Weiss e colegas estudaram homens e mulheres de meia-idade sedentários e com sobrepeso para avaliar seu risco de desenvolver diabetes tipo 2.  No diabetes tipo 2 o indivíduo tem o açúcar alto no sangue não porque falta insulina, mas porque o tecido gorduroso em excesso resiste à entrada de açúcar em suas células. No diabetes tipo 2 as pessoas produzem insulina, mas esta não consegue agir.

Os voluntários nesse estudo foram divididos em três grupos, um com restrição de 6% a 8% de calorias, outro que fazia exercícios e o terceiro uma combinação das duas técnicas de emagrecimento e controle do açúcar.

Os pesquisadores notaram que os dois primeiros métodos são bastante eficazes em auxiliar no metabolismo de açúcar e o fazem de maneira independente e aditiva, o terceiro grupo que praticou os dois métodos conseguiu um efeito somatório dos resultados no controle do açúcar no sangue e na perda do peso. Portanto, se for flagrado à noite se empanturrando de comida, pegue uma cenoura na geladeira e corra.