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Número 845,

Internacional

Oriente Médio

O projeto sionista não arrefece

por Gianni Carta publicado 11/04/2015 07h22
Magid Shihade, professor na Universidade de Birzeit, fala das políticas racistas contra os árabes em Israel
Gianni Carta
Magid Shihade

O professor da Universidade de Birzeit, Magid Shihade

Para Magid Shihade, professor na Universidade de Birzeit, é fundamental aumentar a pressão contra Israel e suas políticas racistas destrutivas.

CartaCapital: Em seu artigo, “Não apenas um piquenique”, um imã de Kafr Yasif, vilarejo palestino sob controle israelense, disse: “Não importa o que os palestinos escrevem, as autoridades israelenses e seus cúmplices ocidentais usarão os textos para favorecer a si mesmos”.

Magid Shihade: Residentes de Kafr Yasif são cidadãos israelenses. A história do vilarejo a partir de 1948 revela como israelenses veem os palestinos. O que se escrever a respeito expõe a propaganda israelense e sionista, as políticas repressivas do Estado contra a população. Escrever sobre palestinos, em Israel, é também uma forma de delinear a história rompida e desconhecida. Um texto pode colocar maior pressão internacional contra Israel e suas políticas racistas e destrutivas.

CC: Durante a campanha, Netanyahu disse: “Enquanto eu for premier não haverá Estado Palestino”.

MS: As negociações não são sobre um Estado contíguo soberano. A Palestina não terá soberania. Jerusalém permanecerá sob domínio israelense. O sionismo não permite soberania para os palestinos nativos. Netanyahu vê mesmo os palestinos com cidadania israelense como uma ameaça para o projeto sionista construído sobre uma cada vez maior extensão de terras, e sobre uma redução da população de árabes-palestinos.

CC: Haveria mais chances para um processo de paz se o premier fosse o trabalhista Isaac Herzog?

MS: Herzog não é favorável a um Estado Palestino. Participou de governos interessados em ampliar os assentamentos. Herzog pretende parecer menos belicista. E continuar o projeto sionista.

CC: Há alguma esperança para uma aliança árabe em Israel?

MS: A Lista Árabe Unida levou 13 assentos no Parlamento. Tornou-se a terceira legenda. Mas nenhum governo de Israel na história os incluiu em uma coalizão. A perspectiva é enfrentar a intensificação do racismo na sociedade israelense, à luz de uma liderança fraca da Palestina e dos países árabes. Por ora.

CC: Obama está furioso com Netanyahu porque ele foi ao Congresso americano para dizer que o acordo nuclear dos EUA com o Irã é ruim. Obama pode confrontar Israel?

MS: Nenhum presidente americano fará algo para colocar pressão sobre Israel. Isto não é só por causa do poderoso lobby sionista nos EUA, mas devido também à afinidade da liderança americana com Israel. E também de grande parte da opinião pública. A sociedade colonialista israelense é semelhante à história dos EUA.