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Número 843,

Saúde

Câncer

Quanto antes, melhor

por Riad Younes publicado 08/04/2015 03h50, última modificação 15/06/2015 17h32
O câncer de pulmão é a variedade da doença que mais mata no mundo. É preciso traçar estratégias para enfrentá-lo
Serena Cevenini/Getty Images
Cigarro

Na luta contra o câncer de pulmão, a velocidade ganha o dia

Anualmente, mais de 1,5 milhão de mortes ao redor do mundo são causadas por câncer de pulmão, segundo estimativas recentes da Organização Mundial da Saúde. Esse continua sendo o câncer mais agressivo, que mais causa mortes, tanto em homens quanto em mulheres. Com essas devastadoras estatísticas, e com a observação em todos os centros médicos do mundo de que a maioria absoluta dos doentes chega ao diagnóstico de câncer de pulmão em fases muito avançadas, de difícil controle e de limitadas chances de viver por longo período, as autoridades de saúde e os especialistas realizaram vários estudos para melhor compreender e diminuir os riscos de as pessoas morrerem em decorrência desse tumor.

Um editorial recente da revista Lancet alerta para a necessidade de se traçar uma estratégia clara para controlar a mortalidade devida ao câncer de pulmão. Sem dúvida, a prevenção continua sendo o pilar central, com a restrição cada vez maior para o tabagismo em locais públicos. O exemplo mais recente está sendo implantado no Reino Unido, que, por sinal, iniciou muito tardiamente sua proibição do fumo em locais públicos, notadamente nos pubs. Os legisladores estão introduzindo leis para probir o fumo nos carros.

O impacto das restrições aos fumantes é imenso. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, mostram que as leis antifumo no Brasil ajudaram a reduzir drasticamente o número de fumantes a menos da metade, se comparados com algumas décadas atrás. Infelizmente, entre parar de fumar e a redução da incidência de tumores de pulmão, podem se passar de duas a três décadas.

 

Estudos comprovaram a eficiência da tomografia computadorizada em diagnosticar, em fase muito precoce, nódulos no pulmão em fumantes crônicos, muito antes de produzirem qualquer sintoma. As chances de resolução total da doença nessa fase são, geralmente, muito elevadas, alcançando níveis superiores a 80% dos casos. Recentemente, estão sendo introduzidos testes do ar expirado, soprado dentro de um tipo de “bafômetro”, que analisa e detecta moléculas produzidas pelas células cancerosas. A eficácia desse tipo de teste pode tornar mais acessível e prático o diagnóstico precoce de câncer de pulmão.

Ao se suspeitar de um tumor de pulmão, os médicos têm pouco tempo para avaliar o tipo exato e a extensão da doença, para depois instituir o tratamento adequado rapidamente. Novamente, existem regiões do mundo, e no Brasil isso é patente, onde a população tem demora excessiva entre diagnóstico e início do tratamento, muitas vezes com avanço ainda maior da doença e disseminação metastática pelo corpo. Um estudo recente também demonstrou que o uso mais difundido de exames específicos de endoscopia pulmonar, chamada broncoscopia, com bió-
psias dirigidas por ultrassom, reduz drasticamente o tempo para o estabelecimento do tratamento eficaz.

Juntamos nossa voz a esse editorial da revista Lancet para alertar nossas autoridades de saúde, em todos os governos, para a necessidade de intervir, de forma efetiva e por todos os meios conhecidos, para reduzir o número assustador de mortes por câncer de pulmão no Brasil. Da prevenção ao diagnóstico e ao tratamento. Como o editorial enfatiza, na luta contra o câncer de pulmão, a velocidade ganha o dia.