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Número 838,

Sociedade

Ciência

A CIA pode usar o clima como arma?

por The Observer — publicado 01/03/2015 07h05
De repente, o serviço secreto dos EUA descobre o potencial militar da geoengenharia
Christian Frausto Bernal/Flickr
Clima

A geoengenharia pretende combater a mudança climática removendo o dióxido de carbono da atmosfera

Por Patrick Barkham

Usar o clima como arma para subjugar o mundo soa como o modus operandi de um vilão de James Bond, mas um importante cientista da área climática manifestou preocupação sobre o aparente interesse do serviço de inteligência dos Estados Unidos pela geoengenharia.

A geoengenharia pretende combater a mudança climática removendo o dióxido de carbono da atmosfera ou aumentando a efetividade da Terra – com nuvens ou poeira espacial – para reduzir o calor do Sol.

Ela é criticada por muitos ativistas ambientais, incluindo Naomi Klein, por sugerir que um simples truque tecnológico para reduzir o aquecimento global está próximo, mas a geoengenharia pode ter um lado mais sinistro.

Alan Robock, que estudou o potencial impacto de um inverno nuclear nos anos 1980, deu o alarme sobre o financiamento parcial pela CIA de um relatório da Academia Nacional de Ciências sobre diferentes abordagens ao combate da mudança climática, e o fato de que a CIA não explicou seu interesse pela geoengenharia.

Fazer do clima uma arma não é novidade. Documentos do governo do Reino Unido mostraram que, 99 anos atrás, um em cada seis testes na estação militar experimental de Orford Ness, em Suffolk (Leste da Inglaterra), tentava produzir nuvens artificiais que, esperava-se, atrapalhariam as máquinas voadoras alemãs durante a Primeira Guerra Mundial.

Assim como muitos experimentos militares, esses testes falharam, mas a semeadura de nuvens tornou-se uma realidade entre 1967 e 1968, quando a Operação Popeye dos EUA fez as chuvas aumentaram em uma porcentagem estimada em 30% em partes do Vietnã, na tentativa de reduzir o movimento de soldados e recursos para o Vietnã do Sul.

Nos últimos anos, o programa americano de pesquisas militares Haarp espalhou uma nevasca de teorias sobre como essa instalação secreta no Alasca manipulou os padrões climáticos com sua pesquisa da ionosfera. Se o Haarp realmente tivesse tanto sucesso, provavelmente não estaria sendo fechado este ano.

O argumento de que se fosse possível aprender a controlar o clima os bandidos já o estariam fazendo não combina com as teorias da conspiração, entretanto. Alguns acreditam que o clima já está sendo moldado por “rastros químicos” de aviões, deliberadamente preparados com substâncias tóxicas, e misteriosos defensores da guerra climática estão, por motivos desconhecidos, tornando o Leste dos EUA insuportavelmente frio e a Califórnia dominada pela seca. Cientistas climáticos rejeitam essas teorias, e evidências como a longa lista de patentes de instrumentos que modificam o clima tendem a demonstrar o âmbito ilimitado da imaginação humana, mais que o alcance mais restrito da tecnologia operacional.

Robock está certo ao levantar preocupações sobre quem controlará as tecnologias de modulação climática que derem certo, mas as profecias de James Bond são boas. A filmagem do novo filme da série Espectro foi interrompida no início deste mês por fortes ventos na Áustria coberta de neve.

Se existe um deus do clima, ainda não somos ele.

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