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Número 837,

Saúde

Câncer

Perigos além da calvície

por Riad Younes publicado 18/02/2015 10h03, última modificação 15/06/2015 17h26
Como se não bastasse a perda de cabelo, os carecas talvez devam se preocupar com um tipo de câncer de próstata muito agressivo
Laura Gröbner Ferreira
Careca

na pesquisa, cientistas avaliaram diversas características que pudessem se correlacionar com maior ou menor risco de câncer de próstata

Um estudo recentemente publicado na revista médica Journal of Clinical Oncology (JCO) pela doutora Cindy Ke Zhou e sua equipe de pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer em Bethesda, nos Estados Unidos, lançou dados muito provocativos e interessantes. Avaliaram o risco de homens desenvolverem câncer de próstata agressivo em associação com o tipo de perda de cabelo aos 45 anos.

Foram estudados mais de 39 mil voluntários seguidos em um programa intensivo de diagnóstico precoce de tumores malignos, todos sem diagnóstico de câncer, ao serem admitidos no estudo. Encontraram, nos anos de seguimento, 1.138 novos casos de câncer de próstata.

 

Os cientistas avaliaram diversas características que pudessem se correlacionar com maior ou menor risco de câncer de próstata. Ao analisarem o tipo de perda de cabelo dos voluntários, descobriram que os carecas não apresentavam maiores chances de ter tumores malignos da próstata. No entanto, quando separaram os tumores mais agressivos, a correlação ficou clara.

Observaram que os pacientes com perda de cabelo na região frontal e no topo da cabeça apresentavam maiores chances (39%) de desenvolver uma forma mais grave de câncer de próstata. Outros tipos de calvície não tinham impacto sobre a probabilidade de tumor.

Os autores desse estudo alertam que serão necessárias mais pesquisas para esclarecer o fenômeno, além de tentar desvendar os mecanismos biológicos por trás dessa forte correlação. Suspeita a dra. Zhou de que influências hormonais possam ser comuns aos dois problemas: calvície e câncer agressivo de próstata.

A associação de perda de cabelo no homem já foi confirmada em várias pesquisas médicas com doenças como infarto e derrame. As manipulações hormonais com medicamentos ou cirurgias influenciam diretamente os riscos cardiovasculares dos pacientes.

Em editorial da JCO, o dr. C. J. Ryan, da Universidade da Califórnia em São Francisco prevê que, confirmando-se esses resultados, poderíamos modificar as indicações para exames de prevenção e de detecção precoce em pessoas entre 40 e 45 anos, evitando mortes decorrentes de tumores muito agressivos de próstata. Por enquanto, recomenda-se cautela na interpretação rotineira dos dados deste estudo. E não adianta implante de cabelo para reverter esse risco.