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Número 837,

Política

Governo

Falta diálogo ao governo Dilma

por Redação — publicado 01/03/2015 07h05
A ausência de comunicação do governo com os trabalhadores preocupa o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Rafael Marques
J.F. Diorio/Estadão Conteúdo
Rafael Marques

"Para justificar o alto custo do Estado brasileiro, é preciso fazer o máximo pelos mais pobres.", diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC filiado à CUT Rafael Marques

Em 16 de janeiro, uma greve de dez dias organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC obteve uma expressiva vitória: garantiu a readmissão de 800 funcionários dispensados pela Volkswagen no início do ano. Berço da carreira política do ex-presidente Lula, o sindicato é liderado atualmente por Rafael Marques, funcionário da Ford e filiado ao PT. Apesar da proximidade com os quadros governistas, o sindicalista incomodou-se com a forma como foi encaminhado o “pacote de maldades” do ministro Joaquim Levy, que incluem mudanças relevantes em benefícios trabalhistas, entre eles o seguro-desemprego, as pensões e o abono salarial.

“Desde o ano passado, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, nos alertava sobre a necessidade de mudanças nos benefícios trabalhistas”, afirma. “Mas, da forma como foram encaminhadas, no fechamento do mandato passado, nos puseram para correr atrás.” As medidas de austeridade do governo estimularam os sindicatos vinculados à Central Única dos Trabalhadores, historicamente ligada ao PT, a engrossar os protestos sindicais de janeiro, embora com menor apetite que integrantes da Força Sindical, liderada por Paulinho da Força, aliado de Aécio Neves nas eleições de 2014.

Apesar de compreender os ajustes por causa da “difícil conjuntura internacional”, Marques está preocupado com a falta de comunicação do governo com os trabalhadores. “Os sindicatos e os movimentos sociais precisam de sinais claros de que o diálogo não será interrompido. Ninguém tem dúvidas de que será um ano complicado. Mas precisamos pensar no longo prazo.” Marques confia na atuação de Miguel Rossetto, secretário-geral da Presidência, para contrabalancear a limitada sensibilidade social do Ministério da Fazenda.

Os trabalhadores das fábricas, diz, estão especialmente incomodados com os aumentos salariais concedidos ao Judiciário em dezembro.  Segundo o sindicalista, a classe não pode ser responsável por pagar a conta sozinha. “Para justificar o alto custo do Estado brasileiro, é preciso fazer o máximo pelos mais pobres. Essa filosofia implantada por Dilma e Lula não pode mudar.”

*É presidente do Sindicato dos Metalúgicos do ABC e filiado à CUT

*Publicado originalmente na edição 837 de CartaCapital, com o título "Falta Diálogo"