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Número 833,

Saúde

Limitações

À sombra de Saturno

por Drauzio Varella publicado 22/01/2015 06h09, última modificação 10/06/2015 18h36
A depressão lidera, na lista da OMS, entre os males da civilização – os que incapacitam para a vida social
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Álcool

O consumo de álcool representa 27,9 milhões de anos de atividades perdidos por causa das limitações físicas e mentais que impõe

A Organização Mundial da Saúde (OMS) listou as dez principais causas de incapacitação, no mundo. Em ordem decrescente do número de anos de atividade perdidos por causa das limitações físicas e mentais impostas por uma enfermidade, são elas:

1. Depressão: 76,4 milhões de anos perdidos ou 10,5% do total de anos perdidos pelo somatório de todas as enfermidades.
2. Dores nas costas e na coluna: 53,9 milhões de anos perdidos; 7,3% do total.
3. Anemia por deficiência de ferro: 43,6 milhões de anos perdidos; 5,9% do total.
4. Doenças pulmonares crônicas: 30,7 milhões de anos perdidos; 4,2% do total.
5. Transtornos causados pelo álcool: 27,9 milhões de anos perdidos; 3,8% do total.
6. Transtornos de ansiedade: 27,6 milhões de anos perdidos: 3,7% do total.
7. Diabetes: 22,5 milhões de anos perdidos; 3,0% do total.
8. Perda de audição: 22 milhões de anos perdidos; 3,0% do total
9. Traumatismos por quedas: 20,4 milhões de anos perdidos; 2,8% do total.
10. Enxaqueca: 18,5 milhões de anos perdidos; 2,5% do total.

Principal causa do número de anos de vida perdidos por morte ou pelo convívio com a enfermidade, a depressão acomete cerca de 350 milhões de pessoas no mundo, número que certamente subestima o total de casos.

O fato de persistir por vários anos, a alta prevalência e a distribuição ubíqua pelos cinco continentes explicam os 76,4 milhões de anos perdidos por incapacidade física (YLD).

Quando consideramos as mortes por depressão somadas aos anos perdidos por incapacidade (Dalys), a doença fica em nono lugar, atrás das enfermidades cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, Aids, violência urbana e outras.

Ao contrário dessas, no entanto, qua­dros depressivos padecem de falta de diagnóstico, preconceito social, estigma, tratamentos ineficazes ou inadequados e serviços de saúde mental precários.

Segundo a OMS, praticamente a metade da população da Terra vive em países com um a dois psiquiatras para cada 100 mil habitantes.

O Afeganistão foi o país que relatou a prevalência mais elevada da doença: 22,5% do total de anos perdidos. As guerras constituem fatores de risco reconhecidos, da mesma forma que a violência doméstica e os abusos sexuais na infância. O país tem 0,16 psiquiatras para cada 100 mil habitantes.

Na China, a prevalência é de 3,02%, número baixo provavelmente explicado pela forma como a doença é diagnosticada no país. Pessoas deprimidas frequentemente se queixam de cefaleia, alterações do sono e dores no corpo, sintomas que fogem dos critérios geralmente usados para diagnóstico, que se restringem à tristeza, falta de motivação e fadiga.

Na Suíça, a prevalência é de 6,16%. O país tem 41,42 psiquiatras para cada 100 mil habitantes e oferece assistência médica universal.

Os estudos mostram que, mesmo num cenário favorável como esse, os tratamentos mais eficazes conseguem reduzir apenas de 10% a 30% dos níveis de incapacidade.