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Número 830,

Cultura

Cinema

Ainda outro trunfo de Xavier Dolan

por Orlando Margarido — publicado 13/12/2014 09h26
O diretor de 25 anos cria outro filme adulto e excepcional em seu quinto longa, 'Mommy'
Divulgação
Antoine-Olivier Pilon

Antoine-Olivier Pilon no papel de Steve, embates com a mãe e com a vida

A tela reduz-se a um formato estreito e vertical para simbolizar a estreiteza das vidas retratadas em Mommy. No filme em cartaz do canadense Xavier Dolan esta é a medida adequada ao desafio de Diane Després (Anne Dorval), viúva de personalidade sem medidas, extravagante, para dar conta do filho adolescente Steve (Antoine-Olivier Pilon). O garoto sofre de transtorno de déficit de atenção. É hiperativo e ao incendiar a cafeteria do instituto onde vive obriga a mãe a levá-lo para casa.

O embate torna-se imediato. Xingam-se, atracam-se, machucam-se com violência, mas ela segue resoluta em domar e manter o filho por perto, em um país que possibilita aos pais internar pacientes como Steve. Diane contará com o apoio de Kyla (Suzanne Clément), vizinha com traumas que a deixaram gaga. Em apenas um momento, sublime, o enquadramento peculiar se expandirá para um respiro de felicidade. O resto é dor, como foi na situação inversa em Eu Matei a Minha Mãe, filme de estreia de Dolan.

Em seu quinto longa-metragem, o diretor parecia destinado a repetir um estilo erroneamente sugerido por alguns como pedante. Seu cinema fala de um Canadá profundo, de particularidades tão intensas que o francês do Québec gritado entre os personagens precisou ser legendado mesmo na França. Aos 25 anos, apoiado por um trio de atores admirável, fez um filme adulto e excepcional sobre a excepcionalidade.

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