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Número 829,

Cultura

Cinema

A divina loucura de Arthur Bispo do Rosário

por Orlando Margarido — publicado 10/12/2014 05h54
Com Flávio Bauraqui, Irandhir Santos e Maria Flor, "O Senhor do Labirinto", de Geraldo Motta, lembra a história do artista plástico sergipano
Divulgação

O Senhor do Labirinto
Geraldo Motta

Interno da Colônia Juliano Moreira, diagnosticado como esquizofrênico-paranoico, Arthur Bispo do Rosário passava os dias entre os bordados feitos com os fios do uniforme azul do asilo e a reunião de objetos para compor sua arte exasperada. Dizia ser um inventário do mundo para levar a Deus no Dia do Juízo Final. Ganhou o reconhecimento de crítica, museus e bienais. Poucas vezes deixou a cela, vestido com o manto onde inscrevia o nome dos que o ajudaram.

O Senhor do Labirinto, filme de Geraldo Motta em codireção com Gisella Mello previsto para a quinta 11, narra essa trajetória na ficção de maneira menos imaginária e mais realista do rude cotidiano no hospital, sem abrir mão da poesia que as imagens lhe oferecem, reforçadas pela bela fotografia de Kátia Coelho. Um iluminado Flávio Bauraqui interpreta Bispo em todas as fases, a paixão pela médica Rosângela (Maria Flor) e a amizade e apoio do carcereiro Wanderley (Irandhir Santos). Eles envelhecem e a maquiagem pesa na caracterização, mas não prejudica a fruição da dor e beleza de uma existência complexa.

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