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Número 828,

Diálogos Capitais

Debate

Cidades do futuro

por Sílvia Franz Marcuzzo — publicado 03/12/2014 06h24
Como a tecnologia e a inovação vão melhorar a vida nos grandes conglomerados urbanos do País
Wikimedia Commons
Porto Alegre

A metrópole Porto Alegre, sede do evento Diálogos Capitais, também tenta melhorar a qualidade de vida de sua população com mais tecnologia e inovação

De Porto Alegre

Não são apenas as grandes empresas preocupadas com as transformações na economia e nos modelos de negócios capazes de enfrentar os desafios do século XXI. Micro, pequenas e médias estão cada vez mais envolvidas na discussão. E o modelo tradicional de apropriação do conhecimento por meio de consultorias não dá mais conta do recado. As mudanças nos cenários socioeconômicos são muito rápidas e as novas maneiras de resolver velhos problemas muitas vezes estão em canais pouco convencionais para empresas e governos.

Para lançar luz sobre um novo cenário de ação empresarial, CartaCapital realizou, em parceria com o Instituto Envolverde, mais uma edição da série Diálogos Capitais – Metrópoles Brasileiras, desta vez com o tema Cidadania e Economia Criativa. O evento foi realizado na terça-feira 25, em Porto Alegre, e contou com a presença do prefeito José Fortunati, do diretor-regional da IBM no Rio Grande do Sul, Luís Toledo, da jornalista e professora Andrea de Lima, e do diretor da Sábia, empresa de negócios inovadores, Demetrius Ribeiro Lima, entre outros.

“Dialogar com a sociedade e trazer novos atores para a construção de conhecimentos capazes de influir em políticas públicas relevantes para o Brasil.” Assim Manuela Carta, publisher de CartaCapital, definiu a relevância do projeto Diálogos Capitais – Metrópoles, realizado em todo o Brasil sob a ótica de uma agenda suprapartidária, durante seu discurso de boas-vindas. Antes da capital gaúcha, receberam o ciclo de debates São Paulo, Belo Horizonte e Recife. O último encontro dessa etapa será em Belém, no dia 9 de dezembro.

Quando se fala em inovação e criatividade, um dos pontos principais a serem citados costuma ser o tecnológico. Os consumidores foram inundados por gadgets tecnológicos e têm dificuldade em absorver tantas informações e produtos. O avanço impressiona. “Na década de 1960, quando a Nasa levou o homem à Lua, a capacidade de processamento dos computadores disponíveis era a mesma presente em um smartphone moderno”, compara Toledo, da IBM. Hoje, o mundo acumula trilhões de gigabytes por dia e o imenso manancial de dados disponíveis demanda ainda mais capacidade de processamento. “Dados são o novo recurso natural, e quem conseguir extrair desse caldeirão informações relevantes para os negócios sai com uma enorme vantagem competitiva.”

A IBM está prestes a inovar na relação homem-máquina com o lançamento do Watson, um sistema cognitivo com armazenamento em nuvem capaz de se relacionar por meio de diálogos com os usuários. “Ele entende as perguntas e as diferenças semânticas das relações humanas e é capaz de buscar dados em praticamente todos os bancos de dados existentes no mundo”, explica Toledo. A novidade é que o sistema está em teste nos Estados Unidos e a primeira língua para a qual ele será traduzido é o espanhol.

Os impactos atuais da humanidade sobre os ecossistemas e os limites dessa relação são conhecidos e diariamente expostos nos meios de comunicação e redes sociais. Ainda há, porém, resistências às transformações para um modelo de desenvolvimento capaz de incluir todo o planeta e não apenas metade dele no conforto alcançado pelos 50% de “privilegiados”. Dal Marcondes, diretor da Envolverde que realizou a palestra de abertura do evento, explicou que a economia criativa vai muito além da produção cultural e atrativos turísticos. Ele acredita que 90% dos problemas do mundo têm soluções disponíveis. E isso requer criatividade e inovação, não só tecnológica, mas em processos e modelos de gestão. “Nós todos, empresas, governos e indivíduos, não fazemos as escolhas necessárias, não tomamos a decisão de olhar o amanhã.”

Andrea de Lima, da Cello Comunicação, provocou: cada vez mais seres humanos usam smartphones. Até 2020 deverão ser 50 bilhões de gadgets. Desse total, 77% estarão em países emergentes, segundo dados da International Telecomunication Union. “Como vai ser usada essa tecnologia para a mudança de comportamento, para a inclusão de quem possa realmente interagir em decisões e orçamentos?” Andrea de Lima aponta a necessidade de apropriação dessa tecnologia em projetos de políticas públicas, em estratégias para melhorar a qualidade de vida dos usuários. “Hoje, milhões usam só para acessar as redes sociais.”

Há empreendedores que conseguem se valer de oportunidades e desse momento de transição. Demetrius Ribeiro Lima, diretor de Negócios da Sábia, de Florianópolis, contou que entre os produtos da sua empresa está o desenvolvimento de games para a educação. O foco são os trabalhadores de indústrias, entre eles os da mineração e da construção civil, jovens que, quando se deparam com um curso a distância, não conseguem concluir por não usarem de forma mais estratégica a tecnologia. Sua empresa cria plataformas para professores, que podem “gamificar” conteúdos e transformar o aprendizado em uma atividade lúdica, colaborativa e cooperativa. “Assim falamos de saúde e segurança no trabalho, prevenção de acidentes. Dessa forma, eles cuidam da sua vida e do outro, pois no jogo podem se acidentar, mas na vida real não”, observa.