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Número 827,

Sociedade

Entrevista

Empresário ajuda grávidas a fugirem do Reino Unido

por Gianni Carta publicado 24/11/2014 12h55
Ian Josephs, criador do site Adoção Forçada, oferece auxílio financeiro a mães e faz campanha contra o sistema existente no Reino Unido
Adoção

O site criado por Ian Josephs, Adoção Forçada

No início de 2000, Ian Josephs iniciou Adoção Forçada, uma campanha contra um sistema existente no Reino Unido por meio do qual assistentes sociais tiram crianças de suas mães para adoção. Seu site, Adoção Forçada, descreve casos de pais que perderam seus filhos para esse esquema de 2 bilhões de libras ao ano e cujas audiências ocorrem em um tribunal secreto. Baseado no sul da França, Josephs, empresário de 82 anos formado em Direito, tornou-se conhecido na década de 1960, quando, como conselheiro de um município britânico, levou dezenas de filhos de volta aos seus pais. Agora, ele oferece ajuda financeira a mães grávidas para fugirem do Reino Unido.

CartaCapital: Não poderia ocorrer que o senhor ajudasse às vezes pessoas erradas?

Ian Josephs: Qualquer advogado vai dizer que todo mundo tem o direito de ser aconselhado. Não julgo. E só ajudo as mulheres grávidas a fugir do país quando vão perder seus filhos para assistentes sociais.Nenhuma mãe merece este tratamento. Se vão para a Irlanda e a França, eu as coloco em contato com os serviços sociais locais. Gasto de 100 até 300 libras por caso. Elas me telefonam, têm de me enviar uma carta dos serviços sociais para provar que querem levar seus bebês ao nascer. E peço um recibo das despesas de viagem. Só pago a viagem. Mesmo quando pago pela acomodação, não fica caro. Faço isso uma dúzia de vezes ao ano. Isso posso pagar.

CC: Por que só a Grã-Bretanha pratica sistematicamente a adoção forçada na Europa?

IJ: Existem algumas razões. A National Fostering Agency, fundada por dois assistentes sociais, foi recentemente vendida por mais de 130 milhões de libras. Famílias que acolhem crianças adotadas recebem 590 libras por semana por criança. Livre de impostos. Mesmo se você for generoso ao extremo, não gasta tanto dinheiro com um filho.

CC: Então agências de assistência social são as que mais lucram?

IJ: Diria que o bolo é repartido de forma democrática. A NFA é apenas uma agência. Proprietários de escolas especiais para crianças foragidas de casas de assistência social também levam grossas fatias. Essas escolas cobram de 4 mil a 5 mil libras por semana. Todo o sistema vale mais de 2 bilhões de libras por ano.

CC: Por que os assistentes sociais viraram monstros?

IJ: Assim como um policial deve prender certo número de pessoas por mês, um assistente social tem de tirar algumas crianças de seus pais. Consolam-se com o dinheiro que ganham. Boas assistentes sociais mudam de profissão e aquelas que permanecem no trabalho fazem parte do sistema. Ironicamente, os serviços sociais foram formados para apoiar as famílias e tentar mantê-las unidas. No entanto, os assistentes sociais querem separá-las. Agora falam de “proteção” da criança.

CC: Como vê a corte secreta de proteção, responsável pelo julgamento de mulheres que, na maioria dos casos, não são consideradas mentalmente aptas para criar seus filhos?

IJ: A Lei dos Direitos Humanos, artigo 8º, estabelece o seguinte: toda pessoa tem o direito a uma vida familiar privada. E na maioria dos países a lei protege as famílias contra a interferência do Estado. Os juízes britânicos acham que a lei deve proteger o Estado da família. Se a família interfere na vida de seu bebê, pode acabar na cadeia.

CC: O senhor diz: “Castigo sem crime não é correto”.

IJ: Os juízes são a favor dos serviços sociais. Chamam psiquiatras “domesticados”. Se os psiquiatras dizem que uma mãe é maravilhosa, perdem o emprego. Ganham de 5 mil até 28 mil libras para escrever um mero relatório sobre uma mãe. Eis uma pergunta feita a psiquiatras: “Será que a mãe percebe o perigo que ela representa para as crianças?” Psiquiatras: “Sim, ela compreende, ela deve seguir um tratamento”.

CC: O senhor costuma dizer: “É uma guerra entre os pais e as assistentes sociais que roubam seus filhos”.

IJ: De fato. Não há maior apego do que aquele entre a mãe e uma criança recém-nascida. Se um pai não cometer um crime, ou não for louco, como justificar a adoção forçada de seu filho? Qual é o sentido de ter leis se você é punido mesmo se não quebrá-las. É crime um pai alcoólatra a abusar de seu filho. Antes da invenção de assistentes sociais, em 1948, você tinha de fazer alguma coisa ruim para perder seu filho.