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Número 826,

Economia

Telefonia

Bilionária angolana quer a Portugal Telecom

por Samantha Maia — publicado 20/11/2014 06h01
Isabel dos Santos, a mulher mais rica de Angola, entra na briga pela empresa de telefonia
Arte: CartaCapital

Uma oferta pública de aquisição pouco comum chamou atenção do mercado e irritou os executivos da Oi. No domingo 9, a mulher mais rica de Angola, Isabel dos Santos, filha do presidente do país, José Eduardo dos Santos, ofereceu 1,2 bilhão de euros pelo controle da holding Portugal Telecom SGPS, detentora de 25,6% do capital da Oi e atualmente em processo de fusão com a operadora brasileira. Segundo especulações, o principal interesse da empresária é impedir a venda dos ativos da Portugal Telecom, em especial da participação de 25% no capital da Unitel, a maior operadora de telefonia móvel de Angola, da qual a empresária também é sócia.

Em setembro, a Oi anunciou a decisão de colocar à venda sua participação na Unitel, avaliada em 1,2 bilhão de euros. A empresária estaria interessada em comprá-la, mas a um preço mais baixo. A oferta pela PT SGPS seria uma forma de pressionar por uma negociação. A Oi, por sua vez, interpretou a investida como um ataque direto aos seus planos de capitalização para expansão no mercado brasileiro e tachou a proposta de inoportuna. A holding foi notificada, mas não se pronunciou.

O conselho de administração da Oi rechaçou a oferta e considerou inaceitável a sua exigência de suspender por 30 dias tanto o processo de fusão de negócios da brasileira com a Portugal Telecom quanto a venda de ativos da PT, que incluem a participação na Unitel.

Para a fusão com a Oi, a Portugal Telecom original foi desmembrada nas empresas PT, com operadoras de telecomunicação em Portugal e na África, e PT SGPS, esta com um único ativo, a participação de 25,6% na Oi, e um empréstimo a receber de 897 milhões concedido à Rioforte, controlada pelo falido Banco Espírito Santo. A dívida foi assumida pela Oi. Quando a PT SGPS quitá-la, elevará a sua participação na brasileira para 37%.

A compra da holding daria à empresária angolana direito de veto sobre decisões estratégicas da Oi a exemplo da venda da PT e de seus ativos. A ofensiva significou a participação indireta de Isabel dos Santos na disputa pela operadora portuguesa sem ter de concorrer com as ofertas de 7 bilhões de euros feitas pela companhia francesa Altice, com sede em Luxemburgo, e pelo grupo britânico de aquisições Apax Partners.

Preocupa a Oi qualquer interferência em seus planos de consolidação no mercado brasileiro com a compra da TIM em parceria com a Claro e a Vivo. Diante da recusa, Isabel dos Santos colocou-se à disposição para negociar condições para a manutenção da oferta. Ela não parece disposta a desistir tão cedo. “Acreditamos muito nesse projeto e, se conseguirmos reunir vontades que o viabilizem, faremos tudo que estiver ao nosso alcance para o concretizar”, informou a bilionária.