Número 825,

Saúde

Saúde

Tempo de emagrecer

por Riad Younes publicado 15/11/2014 06h37
A velocidade de perda de peso não tem impacto na capacidade de se manter o benefício alcançado
Shutterstock

A luta contra o sobrepeso e contra a obesidade tornou-se uma obsessão nos dias atuais. Bastam pequenos descuidos que logo o indivíduo percebe as calças não fechando mais e a barriga insistindo em transbordar entre os botões das camisas. O senso comum, entre médicos e especialistas em nutrição, é de que as pessoas que queiram perder peso serão mais bem- sucedidas se adotarem medidas ou programas que reduzam o peso de forma lenta e gradual.

Estudos no passado têm favorecido essa abordagem, sob a explicação lógica de que a perda gradual de peso permite ao corpo adaptar-se ao novo peso. A tendência de reacumular gorduras e reganhar o peso perdido ficaria, dessa forma, muito menor. Por isso se recomendam nos consultórios dietas, famosas ou não, que seguem essa linha de pensamento.

Na tentativa de provar essa teoria médica, um grupo de pesquisadores universitários na Austrália, liderados pela doutora Katrina Purcell, publicou recentemente um estudo elegante na revista Lancet, realizado no hospital metropolitano de Melbourne. Sortearam 200 pessoas obesas em grupos. O primeiro grupo seria submetido ao programa de perda de 15% do peso, em ritmo rápido, durante 12 semanas. O segundo grupo, perderia a mesma quantia lentamente, em 36 semanas.

Todos os voluntários que conseguiram atingir redução de peso maior que 12,5% permaneceram no estudo. Foram observados durante 144 semanas subsequentes, para saber quantos reganhariam o peso original ao cabo desse período. Na primeira fase, muito mais obesos atingiram a meta de perder peso no grupo de perda rápida (81%), comparados com a perda gradual (50%). Quando esses vencedores completaram o período de observação de 144 semanas, um mesmo número de pessoas recuperou o peso original, engordando tudo novamente.

Do grupo de perda de peso rápida 70,5% recuperaram sua forma inicial, e o mesmo ocorreu em 71,2% do grupo de perda lenta. Os cientistas concluíram que a velocidade de perda de peso não tem impacto a longo prazo na capacidade de as pessoas manterem o benefício alcançado. Sugerem, portanto, aos médicos e aos nutricionistas que adaptem a orientação de forma individual. Ao gosto e à preferência do freguês.

Ao mesmo tempo, nos frustra observar que somente 30% dos indivíduos gordos que conseguem, a duras penas, perder 15% de seu peso efetivamente evitam ganhar os quilos perdidos ao cabo de três anos. A maioria sucumbe à tentação e mergulha de volta no mundo dos obesos.

registrado em: ,