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Número 825,

Cultura

HQ

A saga excepcional de um espião russo em quadrinhos

por Rosane Pavam publicado 16/11/2014 07h03, última modificação 16/11/2014 07h31
A premiada autora Isabel Kreitz conta a história do alemão Richard Sorge em Sorge, o Espião
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A premiada autora Isabel Kreitz conta a história do alemão Richard Sorge em Sorge, o Espião

Um incansável resistente em meio à guerra. Uma excepcional artista dos lápis e papéis. O resistente é o alemão Richard Sorge, nascido em Baku, na ex-União Soviética, espião para os russos na Segunda Guerra Mundial. A artista é Isabel Kreitz, eleita no Comic Festival de Hamburgo de 1997 a melhor quadrinista alemã. Reunidos os dois, surge a incessante história de Sorge, admirada pelos escritores Ian Fleming e Tom Clancy e pelo general Douglas MacArthur e publicada no Brasil em Sorge, o Espião (editora Veneta, 268 págs., R$ 49,90).

Sorge espionou para a União Soviética enquanto atuou como jornalista no Japão. Foi um belo homem, cercado por jovens japonesas ou senhoras alemãs desapaixonadas de seus maridos, beberrão enquanto batia automóveis pela rua. Todos o conheciam por falar demais, em público, nos bares, sob a benevolência do embaixador alemão, seu antigo companheiro socialista, contra o criminoso Adolf Hitler.

Um dia, Sorge embebeda-se na companhia de um ingênuo oficial e este lhe segreda a decisão do ditador de furar o plano germano-soviético. O espião comunica o que sabe a Stalin, que não lhe dá a menor bola, obrigado a correr contra o tempo depois. Sorge acaba salvo e reconhecido por seus esforços, certo? É preciso ler o que a história ensina. Como Stalin admitiria a vergonha de ter ignorado a singular contribuição?

Os vaivéns da história são narrados por Kreitz a partir dos testemunhos de seus personagens, especialmente o de uma pianista alemã que se apaixonara pelo espião em Tóquio. O formato é o de um documentário ficcional, em que os fatos são intercalados pelos testemunhos. O desenho, o melhor possível, ágeis retículas em preto e branco sob sombras constantes, a explosão de arquiteturas como nas histórias sequenciais dos anos 1940 e um toque, quem sabe feminino, na precisão dos ambientes, das estampas e das paredes.