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Número 822,

Cultura

Cinema

O sempre controverso Pasolini

por Orlando Margarido — publicado 22/10/2014 05h37
Influência do poeta e cineasta é revista em retrospectiva que passa por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília
Reprodução
Pasolini

Trinta e nove anos após sua morte a controvérsia ainda acompanha Pasolini

É sempre tempo de rever Pier Paolo Pasolini, mas agora um pouco mais, em Pasolini, ou Quando o Cinema se Faz Poesia e Política, no CCBB São Paulo, de 22/10 a 16/11.

Nos últimos dois anos, retrospectivas completas realizadas no MoMA, Nova York, e no British Film Institute, Londres, puseram em marcha a revisão da influência determinante do poeta e cineasta a recentes gerações. O ciclo de retomada chegou ao Festival de Veneza, quando Abel Ferrara apresentou sua visão ficcional das horas finais do realizador italiano, assassinado na Praia de Ostia em novembro de 1975, aos 53 anos.

Passados tantos anos, seu nome ainda sugere controvérsia. Em abril, a Igreja Católica considerou O Evangelho Segundo São Matheus “o melhor filme já feito sobre Jesus Cristo”. Nada mais irônico ao comunista de inflexão cristã que pensou em um filme de partido dos que creem e terminou com a noção de um messias vermelho.

É justamente O Evangelho... que abre na quarta 22 a mostra, enquanto é apresentado na unidade carioca e em seguida chega a Brasília. À exibição em 35 milímetros da totalidade dos filmes se soma uma exposição fotográfica com registros da África e da Ásia pelo diretor. Lá finalizou documentários como Appunti per un’Orestiade Africana, um dos seus 13 longas-metragens de menor circulação, além de curtas e episódios coletivos.

Não é o caso da estreia Accattone – Desajuste Social, em 1961, seguido pelo clássico Mamma Roma, ou a fase mais elaborada e politizada de Teorema (1968), Medeia (1969), Decameron (1971) e o derradeiro Salò ou os 120 Dias de Sodoma (1975), peça antifascista que lhe rendeu mais inimigos e a suspeita sempre presente de razões políticas para a sua morte.

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