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Número 822,

Internacional

Entrevista

“Tanto os EUA quanto Israel querem marginalizar os palestinos”

por Gianni Carta publicado 18/10/2014 07h38
A paz entre a Palestina e Israel depende de Tel-Aviv e Washington, diz o palestino Magid Shihade, professor visitante da Universidade da Califórnia
Gianni Carta

A paz entre a Palestina e Israel depende de Tel-Aviv e Washington. É o que sustenta o palestino Magid Shihade, atualmente professor visitante da Universidade da Califórnia em Davis. Shihade é crítico em relação à conferência no Cairo destinada a levantar fundos à reconstrução do quanto foi destruído por Israel na Faixa de Gaza. O mesmo ceticismo se dá em relação à vontade de John Kerry de levar adiante o processo de paz entre Israel e a Palestina, a representar desde junho passado um governo de união entre o Hamas (Gaza) e Fatah (Cisjordânia).

CartaCapital: O senhor acredita em negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina?

Magid Shihade: Israel vai sempre encontrar desculpas para retardar o processo de paz e, enquanto isso, continuará a roubar terras palestinas, comprometendo a integridade social, política e econômica do povo palestino. Não há surpresas: Israel é um Estado colonial e se comporta como tal. Arrastou as negociações com a OLP/AP ao longo de décadas. Quando Arafat quis estabelecer um prazo para se chegar à paz, foi eliminado. Mahmoud Abbas substituiu Arafat. O governo israelense continua a usar o Hamas como desculpa para não negociar. Tanto Israel quanto os EUA querem marginalizar os palestinos.

CC: O premier Netanyahu criticou o Reino Unido e a Suécia pelo fato de esses países terem aceitado a Palestina como Estado soberano. John Kerry diz que gostaria de prosseguir as negociações. Estamos novamente diante de um processo de paz impossível?

MS: Netanyahu não é exceção nesse dito processo de paz. A diferença entre os líderes israelenses está somente no tom. O reconhecimento por parte de alguns países ajuda, mas tanto Israel quanto os EUA são o principal obstáculo.

CC: No Cairo levantam-se 3,2 bilhões de euros para reconstruir Gaza.

MS: A chamada comunidade internacional levanta enormes somas para reconstruir o que Israel destrói. Virou rotina. Por que Israel não paga a conta? Esta é uma maneira de garantir a impunidade de Israel.

CC: É difícil ser pró-Palestina nos EUA?

MS: A crítica honesta sobre a questão Palestina é censurada. Há restrições quando o tema é Israel/Palestina até no ensino acadêmico. Grupos de judeus sionistas incluem acadêmicos em listas negras. Isso porque esse acadêmicos tomam posições contra, ou mesmo se limitam a não apoiar Israel. A Liga Antidifamação visita reitores de universidades para pedir a repressão de estudantes e professores.

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