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Número 821,

Política

Segundo turno

A enésima tentativa

por Redação — publicado 10/10/2014 13h43
A oposição aposta na nova rodada de vazamentos do caso Petrobras
Arte: CartaCapital
CPI Petrobas

PT, PMDB e PP na mira de Paulo Roberto Costa

Botão Eleições 2014De intensidades e efeitos diferentes, as denúncias de corrupção às vésperas das eleições tornaram-se uma aposta recorrente da oposição na tentativa de apear o PT do poder. Foi assim nas duas disputas anteriores. Não é diferente agora. No início do segundo turno, o escândalo da Petrobras voltou com força ao noticiário. E justamente em um momento acirrado da corrida presidencial. As primeiras pesquisas apontam uma vantagem do tucano Aécio Neves em relação à presidenta Dilma Rousseff, dentro da margem de erro. O Ibope registrou 51% para Aécio contra 49% da petista. O Datafolha alcançou o mesmo resultado.

Os primeiros passos foram dados com o depoimento da contadora Meire Pouza na CPI da Petrobras e com o vazamento das declarações do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa na apuração da Lava Jato. Um dos réus que optaram pela delação premiada, Youssef prestou depoimento na quarta-feira 8 no processo sobre possíveis desvios nas obras da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Segundo o doleiro, reuniões na casa de políticos determinavam os termos do esquema e até atas eram produzidas para determinar a distribuição de dinheiro a campanhas do PT, PMDB e PP na eleição de 2010. “Fazíamos reuniões em hotéis, no Rio ou em São Paulo ou na própria casa dos agentes políticos.” A nomeação de Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento da estatal foi resultado da pressão exercida por partidos da base aliada, afirma Youssef. “Para que Paulo Roberto Costa assumisse a cadeira de diretor de Abastecimento esses agentes políticos trancaram a pauta no Congresso durante 90 dias. Na época era o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco, teve de ceder e realmente empossar o Paulo Roberto.” À época da nomeação de Costa, o responsável pelos acordos políticos na base aliada era o ministro das Relações Institucionais, Aldo Rebelo, e o líder do PT da Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia.

Também na quarta, Costa revelou à Justiça do Paraná detalhes do esquema de desvio de dinheiro público supostamente instalado na Petrobras. Segundo ele, existia um cartel em operação na petroquímica formado pelas principais empreiteiras do País. Costa revelou ao juiz Sérgio Moro os pormenores das negociações envolvendo essas empresas, diretores da Petrobras e políticos do PT, PP e PMDB. Segundo ele, para cada contrato firmado pela estatal, 3% do valor era destinado ao pagamento de políticos e diretores. No caso da diretoria comandada por ele, 2% ficavam com o PT e 1% com o PP. “Do 1% para o PP, em média 60% ia para o partido, 20% para despesas às vezes de emissão de nota fiscal e para envio e 20% restantes eram repassados assim, 70% para mim e 30% para o Janene ou Alberto Youssef.”

Em um dos casos ilícitos, citou Costa, 500 mil reais foram repassados diretamente pelo presidente da Transpetro, Sérgio Machado. O presidente da subsidiária da Petrobras foi indicado por Renan Calheiros. Ainda segundo o delator, no caso do PT, o dinheiro era encaminhado ao tesoureiro João Vaccari via o diretor de Serviços da estatal, Renato Duque, indicado por José Dirceu.

Enquanto os delatores prestavam depoimento na Justiça, a ex-contadora de Youssef, Meire Poza, admitia à CPI ter emitido 7 milhões de reais em notas frias relativas a serviços prestados a empresas do doleiro e reiterou o envolvimento do doleiro com políticos e Costa. A contadora afirmou que o PT repassou dinheiro para Enivaldo Quadrado, parceiro de Youssef, pagar a multa imposta pelo Supremo Tribunal Federal no processo do “mensalão”. Meire afirma ter ido três vezes à casa do jornalista Breno Altman para pegar 15 mil mensais para repassar a Quadrado. Ainda em relação ao caso, a contadora diz ter guardado, a pedido do condenado no “mensalão”, um contrato que depois seria usado pela revista Veja como prova da suposta chantagem feita contra petistas. O contrato, apreendido pela PF em seu escritório, é relativo a um empréstimo de 6 milhões de reais entre a 2 S Participações Ltda., empresa de Marcos Valério, e a Expresso Nova Santo André, do empresário do setor de transportes Ronan Maria Pinto. Afirmou, contudo, desconhecer qual seria o objetivo da guarda do contrato. Ainda em seu depoimento, a ex-contadora de Youssef desmentiu vários pontos da reportagem publicada na véspera do primeiro turno pela revista Veja. “Eu não disse o que Veja colocou. Não disse que Youssef tinha ascendência sobre prefeituras do PT.” Meire confirmou que o doleiro mantinha contato com o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, do PP, a quem teria indicado a compra de uma empresa de monitoramento de veículos em Goiânia. Ela afirmou ainda ter feito pagamentos ao deputado André Vargas, ex-PT, e a familiares de Luiz Argolô, do Solidariedade.

Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, o PT desmente a totalidade das ilações sobre repasses financeiros originados de contratos com a Petrobras e repudia com veemência e indignação as declarações caluniosas do réu Paulo Roberto Costa. Em outro comunicado, o tesoureiro João Vaccari Neto diz nunca ter tratado de contribuições financeiras do partido com Costa. O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, também nega as declarações de Costa e ressalta o estranhamento com o fato de que as declarações estejam sendo divulgadas em pleno processo eleitoral.

Com Fabio Serapião