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Número 820,

Saúde

Idosos

Onde é melhor envelhecer

por Rogério Tuma publicado 12/10/2014 08h19
Em 58º lugar na lista de países analisados, o Brasil e seus 23 milhões de idosos demandam mais segurança e transporte de qualidade
Quin Drummond / Comunicação - Prefeitura de Sete Lagoas
idosos

O Brasil tem 23 milhões de pessoas com mais de 60 anos, ou seja, 11,5% da população

Uma ONG com base no Reino Unido, fundada e mantida por idosos, a Age International, desenvolveu um índice para avaliar o quanto cada país faz pelos seus idosos, o Global AgeWatch Index. E publicou a classificação dos 96 países analisados, que juntos possuem 91% da população mundial. O índice baseia-se no poder econômico dos idosos, no auxílio financeiro que recebem, no acesso à saúde física, psíquica e social, na empregabilidade e no nível educacional, além do fator ambiental: liberdade cívica, segurança e socialização. No total são 13 indicadores de qualidade de vida divididos em quatro grandes grupos.

O intuito do índice é contribuir para as agências sociais e de saúde com dados para projetos necessários para melhorar a qualidade de vida da população com mais de 60 anos, que por volta de 2030 será maior que a população de crianças, chegando a até 30% em cada país.

A expectativa de vida nos últimos 50 anos mais que dobrou, chegando a 66 anos com a redução da mortalidade infantil. No início do século XX, a expectativa era de menos de 50 anos. Hoje é cada vez mais comum encontrarmos pessoas centenárias com saúde. Quem chega aos 60 nos dias atuais está em geral com boa saúde e espera-se que viva bem, por pelo menos mais 20 anos, na média mundial.

Os melhores países para os idosos são: Noruega, Suécia, Suíça, Canadá e Alemanha; os piores, Tanzânia, Malaui, Palestina, Moçambique e Afeganistão. O Brasil está em 58º, bem atrás de Chile (22º), Uruguai (23º) e Argentina (31º), mas à frente do Paraguai (61º).

Na Noruega, onde há 1,1 milhão de pessoas com mais de 65 anos (21% da população), 100% recebe auxílio financeiro do governo, em média mil dólares por mês.  Ao chegar aos 60 anos, a expectativa é de se viver mais 24 anos, 17,4 deles com saúde plena; 71% estão empregados e 99,4% têm alta escolaridade. Lá, 96% dos idosos sentem-se livres e 86% andam sozinhas à noite nas ruas com segurança.

Entre os BRICS, a China é a mais bem posicionada, 48º. Apesar de ter uma expectativa de vida de 19 anos após os 60 anos e 24% deles estarem na faixa da pobreza, os mais de 200 milhões de idosos chineses estão muito satisfeitos com segurança, liberdade e serviço público.

O Chile tem a dianteira na América do Sul, com o 14º melhor padrão de saúde do mundo e o dobro de idosos com alta escolaridade do Brasil. Mas as pessoas não se consideram livres, 20% se sentem sós e 15% estão na faixa de pobreza. O México, após seu plano de auxílio financeiro aos idosos de 2004, obteve um salto em qualidade, ultrapassando Itália e Portugal.

No Brasil, a população com mais de 60 anos é de 23,3 milhões (11,5% do total), mas chegará a 29% em 2050. O índice mais positivo é a pensão social, implantada em 1963, a 14ª melhor do mundo: 86% dos idosos recebem auxílio do governo, equivalente a um salário mínimo. Em termos de saúde estamos na 43ª posição. A expectativa é de se viver 21 anos depois dos 60, 16 deles com qualidade. Apenas 52% têm emprego ou são produtivos e 21% têm alto nível de escolaridade. Por outro lado, só 8,8% estão ao nível de pobreza. O que mais atrapalha o Brasil é o ambiente: 28% dos idosos se sentem seguros no País e 55% estão insatisfeitos com o transporte público.

Esses dados são importantes para aprimorarmos a política de cuidar dos nossos idosos, priorizando suas maiores demandas, já que eles são nossa melhor fonte de conhecimento e experiência, ainda que muito mal aproveitada em nosso país. E, afinal, quem ainda não estiver neste grupo vai querer chegar lá.

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