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Número 820,

Cultura

Refô

La Trappola

por Marcio Alemão publicado 11/10/2014 08h56
Quem nunca comeu em um desses lugares que proliferam mundo afora?
Rolf Bruderer/Getty Images
La Trappola

No Brasil, a cena gastronômica continua efervescente, mesmo que não saiba

Estive viajando. Europa. Poucas cidades. A melhor refeição, de longe, foi em Brugges, em um local encantador. A pior, em Veneza. Não por falta de ótimas indicações, mas por falta de numerário para conferir. Mas também por lá comi, em local agradável, um peixe no sal. Exemplar.

Ocorre que, na Itália, e em boa parte do mundo, existe uma cadeia de restaurantes que não para de crescer: La Trappola. Em Veneza, você pode cruzar com dezenas de La Trappola em uma única rua. O truque mercadológico que lançaram mão, admito, é deveras eficiente: cada local tem um jeitão e um nome diferente. Se você não gostou muito do A, tente o B. E dessa maneira continuam muitos a frequentar o La Trappola, ainda que não saibam.

Como disse, está pelo mundo e cresce mais rápido que bambu em tempo de chuva. No Brasil, mais precisamente aqui, na Nova Amsterdã, no bairro do Bexiga, a cadeia La Trappola fez morada.

Cito alguns pratos que são um verdadeiro sucesso: Spaghetti alla fregatura di mare. Risotto al vino bianco e nero. Saltimbocca all’imbroglio di bosco. Battuta di portafoglio in umido di seppie. Chiacchiere alla napolitana. Brasato di scemo al Barolo bianco.

De volta ao Brasil, vejo que a cena gastronômica continua efervescente, mesmo que você não saiba.

Food Trucks em alta. Precisamos ver como vão conviver com ciclovias e ciclofaixas. Na minha opinião, nada que um pouco de tinta não resolva. Se bem que mais coerente com Nova Amsterdã seriam as Food Bikes

E, por esses dias, enquanto pedalava feliz, me sentindo cidadão de Primeiro Mundo, senti também um pouco de fome. Por sorte estava perto do Go Dog, uma casa de cachorro-quente que até o presente tem resistido de maneira hercúlea às sugestões do Júnior. Para que você tenha ideia, Alfredo e Tarso, os sócios-proprietários, não cogitam sequer a entrada do purê de batatas e molho pomarola. Também o queijo cheddar, ainda que o paulistano já tenha deixado claro que gosta de qualquer coisa alaranjada que lambuze boca e mãos, demorou para entrar na casa. Por fim, um inglês de bom sabor conseguiu o visto.

Nenhuma salsicha do Go Dog é vermelha ou lembra paredes da toscana. São artesanais, tradicionais, feitas em pequena escala com muito sabor. O pão é do Padeiro Máster Rogerio Shimura e faz  a diferença. Para o almoço alguns pratos estão sendo testados, tendo a salsicha como inspiração. Por ora recomendo os dogs. Rua Delfina, 42. Tem valet para bicicleta.

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