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Tecnologia

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EUA acusam Apple e Google de colocar "crianças em risco"

por Felipe Marra Mendonça publicado 08/10/2014 05h12
Para autoridades americanas, o uso de criptografia em celulares permite que as pessoas se coloquem acima da lei; segundo um deles, o "iPhone é o telefone dos pedófilos"
Divulgação
Iphone

Autoridades acusaram publicamente Iphone de ser o "celular do pedófilo"

O governo dos Estados Unidos considera um entrave a decisão de empresas como a Apple e o Google de tornar a criptografia algo corriqueiro no sistema operacional dos seus dispositivos móveis, impedindo que a polícia obtenha acesso aos conteúdos.

Segundo o procurador-geral do país, Eric Holder, tais medidas colocam “crianças em risco”.  Em uma conferência da Aliança Global Contra o Abuso Sexual Online de Crianças, realizada em Washington, Holder disse que “recentes avanços tecnológicos têm o potencial de encorajar criminosos, providenciando novos métodos para que evitem detecção”.

Holder conclamou as empresas de tecnologia a cooperar com o governo para “assegurar que as forças da lei retenham a habilidade, com mandados judiciais, de obter legalmente informações úteis durante qualquer investigação para conseguirem prender sequestradores ou predadores sexuais. É preocupante perceber que algumas empresas nos estão tolhendo essa habilidade”.

A declaração de Holder ocorre uma semana depois de o diretor de investigações do FBI, James Corney, sustentar não entender o que levava as empresas de tecnologia a fazer da criptografia embarcada um dos grandes atrativos comerciais dos seus aparelhos, algo que “permitiria que as pessoas se colocassem além da lei”.

“Logo chegaremos ao dia em que o acesso ao conteúdo de um smartphone será importante para a vida de muitas pessoas, e eu quero ter uma conversa com as empresas responsáveis antes que esse dia chegue”, ressaltou o diretor do FBI.

Uma declaração ainda mais incendiária foi colhida pelo Washington Post, que ouviu o chefe do departamento de investigações da polícia de Chicago. John Escalante disse que o iPhone se tornaria “o telefone preferido dos pedófilos” e que o “pedófilo médio deve estar pensando agora que ele realmente precisa de um telefone da Apple”.

O que as autoridades não dizem é que ainda é pessoal pedir a cooperação das operadoras de telefonia para seguir os passos de um suspeito e que muitas pessoas guardam seus dados nos serviços de armazenagem online, que na sua maioria ainda “abrem” seus discos rígidos mediante mandados de busca e apreensão. A criptografia pode dificultar alguns casos, mas não impede qualquer investigação. Dizer que as empresas de tecnologia abrigam criminosos é um exagero desmedido.

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