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Número 820,

Cultura

Cinema

Eu sou Angela Davis

por Orlando Margarido — publicado 10/10/2014 00h55
No documentário 'Libertem Angela Davis', é a própria filósofa e militante socialista quem conta sua trajetória de vida
Reprodução
Angela Davis

Angela Davis ganha o enfoque de protagonista que de fato foi

Coadjuvante habitual no cinema inspirado nos movimentos de luta dos negros americanos, Angela Davis ganha o enfoque de protagonista que efetivamente foi. Em Libertem Angela Davis, em cartaz, a filósofa e militante socialista incômoda aos radicais e ao governo dos Estados Unidos nos anos 60 é descolada do coletivo para ter trajetória recomposta à margem de grupos determinantes que integrou, como os Panteras Negras. O resultado do documentário de Shola Lynch, o mais completo até agora, pode ser impactante àqueles que vislumbravam a personagem apenas como uma das várias peças daquele período de transformação.

Não deixa de ser, claro, na medida em que o país era sacudido por diversos conflitos e manifestações do grupo oficialmente discriminado pela sociedade. A própria Davis, hoje com 70 anos, dá voz aos seus feitos e agruras, enquanto o filme corre com rico material documental. Entre os primeiros está a formação universitária, inclusive na Alemanha, e a posição de professora na Universidade da Califórnia de que teve de abdicar depois de se declarar integrante do Partido Comunista. A perseguição maior deu-se, no entanto, quando o FBI a incluiu na lista de procurados em razão do rapto e da morte de um juiz, pois a arma usada na ação estava em nome da ativista. Comum nesses casos, aproveitava-se a casualidade criminal para punir a ré na dimensão política, tentativa desmantelada em famoso julgamento.